Brasil desperdiça mais de 40% da água durante distribuição, diz estudo

O índice nacional de perdas na distribuição de água foi de 40,14% em 2020, ano em que o número de brasileiro sem acesso à água tratada ficou em 35 milhões, segundo estudo divulgado nesta quarta (01) pelo Instituto Trata Brasil. O índice de perdas subiu 0,9 ponto percentual (p.p.), em comparação com 2019, e representa a quinta alta consecutiva e um volume equivalente a 7,8 mil piscinas olímpicas de água tratada desperdiçada por dia no território brasileiro.

O estudo, denominado Perdas de Água Potável, foi realizado com base em dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Dentre o total de água desperdiçada antes de chegar às residências dos cidadãos, 60% — suficiente para abastecer 66 milhões de brasileiro por ano — correspondiam a perdas físicas, ou seja, vazamentos. De acordo com o Trata Brasil, este volume “poderia também atender, por quase três anos, aos mais de 13 milhões de brasileiros que habitam as favelas”.  

“Além de atender a este enorme contingente de brasileiros, no que se refere ao impacto ambiental, o volume de água que poderia ser economizado da natureza certamente ajudaria a manter mais cheios os rios e reservatórios espalhados pelo país”, completa. O norte do Brasil, que tem os piores índices de saneamento, aparece também o com o pior índice de perdas na distribuição (IPD): 51,2%. De 2016 a 2020, foi a região em que o IPD mais piorou também (3,9 p.p.). No período, no centro-oeste, houve melhora de 0,81 p.p. Há dois anos, Goiás ficou como a unidade federativa com o menor IPD (27,66%), e o Amapá, com o maior (74,56%). Segundo o instituto, “15 Unidades da Federação apresentam indicadores de perdas piores que a média nacional, o que é muito ruim considerando que a média do Brasil já é preocupante”.

O estudo mostra ainda que o Índice de Perdas de Faturamento Total (IPFT) — por meio do qual é avaliado o quanto da água produzida pelo sistema de abastecimento não foi faturada — ficou em 40,9% em 2020 e que se fosse reduzido para próximo de 25%, meta do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), seria economizado um volume de cerca de 2,3 bilhões de m³ – suficiente para abastecer aproximadamente 40,4 milhões de brasileiros por ano.

O IFPT do Brasil há dois anos foi pior que o de países como Camarões (39,5%), África do Sul (33,7%), Etiópia (29%), Reino Unido (20,5%) e Polônia (17%). Dentre dez países analisados da América Latina, tem o sexto pior IPFT, com o Uruguai (51%) na primeira colocação. Calculando, num cenário realista — ou seja, com IPD nacional de 25% em 2034 –, o possível ganho econômico que o Brasil registrará se melhorar a eficiência na distribuição de água potável até 2034, os pesquisadores chegaram à conclusão de que os ganhos em 12 anos serão de R$ 25,6 bilhões.

Com informações do portal SBT News.