Governo e setor elétrico buscam solução para fila de projetos renováveis para conexão

SÃO PAULO (Reuters) – O governo está avançando com os estudos para organizar a fila gigantesca de projetos de geração de energia renovável que querem se conectar ao sistema de transmissão, um problema que se acentuou no último ano com a corrida de empreendedores antes do fim de subsídios às fontes renováveis.

Em encontro virtual nesta sexta-feira, representantes do Ministério de Minas e Energia e de associações do setor elétrico indicaram como possível solução a criação de um novo leilão, no qual empreendedores disputariam preferência na fila de conexão à rede de transmissão.

“Estamos trabalhando numa portaria de diretrizes para realização desse certame, que possibilitará o acesso racional ao sistema de transmissão”, disse Paulo Cesar Domingues, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético da pasta, em webinar.

Conforme informou à Reuters, nos últimos 12 meses foram emitidos 196,7 gigawatts (GW) em requerimentos de outorga (DROs) para novas usinas de fontes renováveis pela Agência Nacional de Energia Elétrica — quantidade que equivale a mais do que o Brasil tem hoje em capacidade instalada operacional, de 184 GW.

Segundo Domingues, os quase 200 GW superam em cinco vezes a necessidade de acréscimo da geração centralizada considerando a previsão do Plano Decenal de Expansão de Energia 2031, que será publicado ainda neste mês.

Para Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, o setor elétrico tem uma situação conjuntural e outra estrutural para resolver. Segundo ela, a pilha de pedidos de outorga causada pela “corrida das renováveis” ainda passará pelo filtro da Aneel, o que ajudará a reduzir o volume de projetos no papel.

“É muito importante a gente buscar meios de limpar a base e buscar a racionalidade. Vamos fazer uma limpeza, tem muito papel nessa história (…) Talvez mais para o fim do ano a gente já consiga entender onde estamos”, afirmou Gannoum.

Ela disse ver com bons olhos a criação de um leilão de margem de escoamento, mas destacou que o processo precisa ser bem estruturado para atender as necessidades do setor.

“Só que vender margem sem nenhum critério seria insuficiente, é importante levar em consideração requisitos ambientais do projeto, ou requisitos sistêmicos e elétricos”.

Outra possibilidade seria aperfeiçoar a exigência de garantias de fiel cumprimento dos projetos, apontou Carlos Dornellas, diretor técnico da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

“Existem caminhos mais simples (do que leilão), o aporte de garantias financeiras pode ser adaptado e simplificado”, disse ele.

Representantes das consultorias PSR e Thymos Energia que participaram do webinar também apoiaram a criação de novos mecanismos para organizar a fila de pedidos de conexão ao ONS, já que a tendência é que o planejamento futuro da transmissão se torne mais desafiador com a contratação de projetos de geração majoritamente no mercado livre, com menor previsibilidade para o governo.

(Por Letícia Fucuchima)

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