Campanha busca alertar a população sobre a doença de Alzheimer

Em todo o mundo, aproximadamente 55 milhões de pessoas apresentam algum tipo de demência, a mais comum delas, a doença de Alzheimer. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dez pessoas com demência, sete apresentam a doença, a grande maioria idosas.

Com o envelhecimento da população, a situação não é diferente no Brasil, onde quase 2 milhões de pessoas são acometidas pela doença que possui vários estágios, desde o comprometimento cognitivo leve, com falhas de memória, até a fase grave em que o doente não reconhece familiares, além da perda da autonomia.

Para alertar sobre o Alzheimer, que é progressivo e sem cura, o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI), a Prefeitura de Curitiba e a Fundação de Ação Social (FAS) lançam uma campanha nesta segunda-feira (19/9). A iniciativa marca também o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, nesta quarta-feira (21/9). Também integra o Curitiba Viva Bem, política pública de promoção da qualidade de vida na cidade.

Divulgada nas redes sociais, a campanha faz parte de uma ação ainda maior que busca a valorização das pessoas idosas e que teve início em 21 de julho, quando se comemorou o Dia dos Avós. O combate ao suicídio também foi tema da ação. O próximo desdobramento da campanha será em 1º de outubro, Dia Internacional das Pessoas Idosas e Dia Nacional do Idoso.

Com as frases Afetividade – o seu carinho faz bem para quem tem Alzheimer, Sensibilidade – a sua empatia faz bem para quem tem Alzheimer, e Identidade – uma pessoa não se resume à sua doença, a campanha busca alertar a população e incentivar o respeito e a valorização daqueles que apresentam essa condição.

“Entender como uma pessoa com Alzheimer se sente e se comporta é a melhor forma de cuidado que podemos oferecer, além de incentivar o afeto e a valorização das outras características que o idoso possui, além da doença”, explica o presidente do CMDPI, José Araújo da Silva.

Doença progressiva

A doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Aloysius Alzheimer. Ela se apresenta como demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais.

Sem cura, a doença se apresenta com a piora progressiva dos sintomas e pode ser dividida em três fases: leve, moderada e grave. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.

Na fase leve, podem ocorrer alterações como perda de memória recente, dificuldade para encontrar palavras, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade para tomar decisões, perda de iniciativa e de motivação, sinais de depressão, agressividade, diminuição do interesse por atividades e passatempos.

Na fase moderada, são comuns dificuldades com atividades do dia a dia, com prejuízo de memória, como esquecimento de fatos importantes e de nomes de pessoas próximas; incapacidade de cozinhar e cuidar da casa, de fazer compras, de fazer a própria higiene; maior dificuldade para falar e se expressar com clareza; alterações de comportamento (agressividade, irritabilidade, inquietação); ideias sem sentido (desconfiança, ciúmes); e alucinações (ver pessoas, ouvir vozes de pessoas que não estão presentes).

Na fase grave, observa-se prejuízo gravíssimo da memória, com incapacidade de registro de dados e muita dificuldade na recuperação de informações antigas como, reconhecimento de parentes, amigos, locais conhecidos; dificuldade para alimentar-se associada a prejuízos na deglutição; dificuldade de entender o que se passa a sua volta e de orientar-se dentro de casa.

Pode ocorrer ainda incontinência urinária e fecal e intensificação de comportamento inadequado, além de prejuízo motor.

Prevenção

A médica Ivete Berkenbrock, especialista em geriatria e conselheira governamental do CMDPI, explica que o estilo de vida é muito importante para prevenir o Alzheimer mesmo quando há casos na família. “Quanto mais cedo houver mudança de hábitos, mais fácil minimizar e até evitar o problema”, explica.

Ela alerta para alguns cuidados preventivos no dia a dia, especialmente em casos de histórico na família, para minimizar o risco e ou atrasar a evolução da doença:

  • Cuidado com a saúde auditiva. Estudos mostram que a deficiência auditiva é um fator de risco para demência;
  • Estimular o cérebro com novos aprendizados como aprender um novo idioma, novos hobbies, leitura, música dentre outros;
  • Exercitar-se com regularidade, atividade física é bom sempre. Adquira uma rotina de exercícios adequada a sua condição e orientada por um profissional;
  • Adotar uma dieta rica em nutrientes e diversificada;
  • Procurar ter uma boa rotina de sono;
  • Controlar diabetes e pressão arterial e qualquer outra condição crônica de saúde que exija tratamento contínuo;
  • Evitar condições que tragam estresse e procure estratégias de enfrentamento quando forem inevitáveis;
  • Manter uma boa rede de apoio e socialização com familiares e amigos.

Informações da PMC.