Cenário do mercado de trabalho começa a ficar mais otimista

os principais indicadores de emprego no país. A taxa de desemprego caiu para 9,8% no trimestre encerrado em maio de 2022, atingindo o menor índice desde 2015. A falta de trabalho, no entanto, ainda afeta 10,6 milhões de brasileiros. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

As informações demonstram, sobretudo, o aumento da população ocupada e seus efeitos para a redução do desemprego. De acordo com o levantamento do IBGE, a taxa de desemprego no segundo trimestre deste ano teve uma queda de cerca de 5% em relação ao mesmo período de 2021. O índice de desocupados no trimestre encerrado em abril estava em 10,5% e, há um ano, era de quase 15%. 

Com o cenário de retomada no mercado de trabalho e de novas contratações, a tecnologia já é uma realidade para os recrutadores que podem, por exemplo, utilizar um software de recrutamento e seleção para organizar processos seletivos em um único sistema.

Indicador Antecedente de Emprego registra alta

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), contou com alta de 1 ponto de maio para junho de 2022. Registrando o terceiro aumento consecutivo, ele atingiu 81,9 pontos, sendo o maior nível desde novembro de 2021. 

O IAEmp combina dados extraídos das Sondagens da Indústria, de Serviços e do Consumidor para antecipar as tendências do mercado de trabalho no Brasil, relacionando-as ao nível de emprego. 

Contribuíram para essa alta cinco dos sete componentes do Iaemp, com destaque para a tendência dos negócios da indústria. Já pelo lado negativo, a principal contribuição veio do indicativo sobre a situação atual dos negócios de serviços.

Trabalhos formais 

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em maio de 2022, o Brasil tinha 41,7 milhões de empregos com carteira assinada. O quantitativo representa um aumento de 0,67% na comparação com abril deste ano, quando o número era de 41,4 milhões de empregos formais – e, também, em relação a abril de 2021, quando o saldo estava em 38,8 milhões.

Conforme dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, o país gerou 277 mil empregos com carteira assinada em maio de 2022. Segundo o governo, esse é o resultado da diferença entre 1,96 milhão de contratações e 1,68 milhão de demissões registradas naquele mês.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, foram criadas 1,01 milhão de vagas de emprego formal. 

Trabalhos informais

Segundo o estudo “Retrato do Trabalho Informal no Brasil: desafios e caminhos de solução”, divulgado pela Fundação Arymax e a B3 Social, em junho deste ano, e conduzido pelo Instituto Veredas, há 32,5 milhões de trabalhadores informais no país. Desse universo, 60% sobrevivem com os trabalhos conhecidos como “bicos”, o que representa cerca de mais de 19,6 milhões de brasileiros. 

Para o economista da FGV Marcelo Nery, em entrevista à imprensa, os quantitativos relacionados aos trabalhadores informais não têm registrado oscilações significativas no país. Ele destaca como positivo o fato de que a informalidade está diminuindo, mesmo que seja aos poucos, e o desemprego também. Contudo, lembra a renda como o principal fator para compreender esse público, pontuando que a renda per capita diminuiu, principalmente na faixa de salários mais baixa. 

Taxa de pessoas com alguma ocupação

O número de pessoas ocupadas, com algum tipo de trabalho, atingiu o maior valor desde 2012, quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua começou. Mais de 97,5 milhões de pessoas estavam ocupadas no país no trimestre encerrado em maio, representando recorde desde 2012. 

Em relação ao mesmo período do ano passado, houve um aumento de 10%. São mais de 9,3 milhões a mais de pessoas ocupadas. 

Carteira assinada não garante remuneração mais alta

Mesmo com aumento de empregos com carteira assinada e de pessoas ocupadas, não significa que os salários melhoraram de um ano para o outro. O rendimento real do trabalhador ficou em R$ 2.613 no trimestre encerrado em maio de 2022, segundo a Pnad Contínua – uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Sendo assim, as pessoas estão voltando a trabalhar, recuperando os seus postos de trabalho, mas com um rendimento ainda baixo.