HC recebe respiradores e aparelhos de alto fluxo de oxigenação para tratamento de covid-19

O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC) recebeu sete respiradores com monitores e nove sistemas de ventilação de alto fluxo para reforçar a estrutura de combate à covid-19 no complexo. Os aparelhos foram doados pela Associação Amigos do Hospital de Clínicas. A doação também inclui R$ 284 mil em insumos para atendimento aos pacientes em tratamento contra a doença no HC.

Os sete novos respiradores chegaram no domingo (21) e já foram colados em uso, permitindo a transformação de mais sete leitos covid-19. O mesmo aconteceu com os nove sistemas de ventilação de alto fluxo, que chegaram na quarta-feira da semana passada.

Os sistemas de ventilação de alto fluxo têm o objetivo de aumentar o volume de ar e de oxigênio, aquecidos e umidificados, por meio das vias aéreas. Isso impacta diretamente na velocidade e pressão de oxigênio recebido pelos pulmões.

De acordo com o médico intensivista do HC, Eric Banholzer, as Cânulas Nasais de Alto Fluxo (CNAF) são uma tecnologia de assistência ventilatória para o paciente que ainda é capaz de respirar espontaneamente, melhorando a troca gasosa e conforto respiratório. “Para os pacientes com covid-19, cada dia é muito importante para o fim da tempestade inflamatória, assim o CNAF pode trazer uma chance de se evitar a intubação oro traqueal se a fase inflamatória passar, com o paciente respirando sem o ventilador”.

O médico ainda explica que o equipamento funciona como uma ponte entre a ventilação espontânea e a necessidade de intervenção mais invasiva, feita com o tubo oro traqueal. “O equipamento não substitui o ventilador (respirador), mas é uma alternativa que podemos adotar para retardar, ou até mesmo evitar, a possibilidade de intubação. A CNAF permite dar um pouco mais de tempo para os pulmões desinflamarem, e isso pode fazer a diferença para o paciente que iria direto para o respirador. Além disso, conseguimos otimizar o uso dos recursos, principalmente os ventiladores”.

A CNAF também funciona no sentido oposto: “Quando retiramos o ventilador pode acontecer de a respiração do paciente falhar. A CNAF auxilia nessa transição, ajudando, novamente, a dar mais tempo para que o paciente se adaptar, aumentando a chance de sucesso no processo de retirada dos apoios respiradores mais invasivos.

O que são as CNAF?

As CNAF são uma pronga nasal, ou seja, uma espécie de suporte para o cateter nasal acoplada a um circuito que fornece ar quente e úmido, misturando oxigênio com ar comprimido através de um software. Isso possibilita um controle preciso da concentração de oxigênio e do fluxo inspiratório que chegam ao paciente pela cânula nasal.

Além disso, ele tem um umidificador potente, que permite que o oxigênio entre nos pulmões de maneira muito semelhante à que ocorreria em condições normais para o paciente. O equipamento da CNAF consiste em um sistema fechado, composto por um misturador de oxigênio (que regula o fluxo de ar pressurizado), um reservatório de água, um aquecedor e umidificador, um circuito aquecido isolado que verifica e protege a temperatura e a umidade do gás entregue ao paciente e uma cânula nasal especial.

O fluxo alto e contínuo cria um grau de pressão nas vias aéreas, gerando um melhor nível de pressão no processo de expiração.  A redução do trabalho respiratório e melhora da troca gasosa, durante a inspiração e expiração, além da diminuição na necessidade de intubação orotraqueal, são alguns dos benefícios obtidos.

Em virtude de o ar ser aquecido e umidificado, esse método pode ser melhor tolerado por crianças. Devido aos seus efeitos fisiológicos, a CNAF é capaz de reduzir a frequência respiratória, a frequência cardíaca e a pressão de gás carbônico, além de aumentar a saturação de oxigênio, já na primeira hora de uso.

Com instalação simples e rápida, esse sistema é capaz de reduzir o gasto energético da musculatura respiratória dos pacientes. Segundo a fisioterapeuta intensivista do CHC Valéria Cabral. “É um equipamento de última geração que fornece oxigenoterapia em alto fluxo, úmido e aquecido para tratar quadros moderados de insuficiência respiratória. O paciente pode falar, tomar água e se alimentar. É muito confortável”.

Colaboração EBSERH