Saiba os principais eventos de 2022 e as expectativas do setor cultural

As lives dominaram o mercado de eventos durante a pandemia. Mas nada substitui a saudade da presença física e o desejo de ver os shows de perto. “Essa demanda reprimida, gerou nas pessoas uma vontade de rever os seus artistas e estar em lugares com movimento, em ver pessoas e ir e vir livremente”, analisa Marcelo Piano, produtor cultural da UPiano Entretenimento.

Grandes eventos como Rock in Rio e Lollapalooza adiaram sua edição de 2021 por causa do coronavírus. O setor de eventos foi um dos primeiros a parar e um dos últimos a retornar, o que trouxe um prejuízo incalculável para toda a cadeia produtiva, avalia o sócio da R2 produções, Ricardo Emediato . 

“A partir do avanço da imunização da população, a expectativa é que os eventos presenciais sejam retomados de modo seguro no próximo ano”, revela a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Secec. Diversos festivais culturais já têm datas marcadas e atrações musicais divulgadas em 2022. Na visão de Ricardo Emediato, todos estamos com muita saudade de reviver experiências coletivas atreladas ao mercado de entretenimento.

Em março, a cidade de São Paulo recebe o Lollapalooza Brasil, um festival que ocupa os 600 mil m² do Autódromo de Interlagos com música, arte, gastronomia, moda e muito mais. De 25 a 27, de sexta a domingo, artistas como Doja Cat, Foo Fighters, Miley Cyrus, The Strokes se apresentam nos palcos da capital paulista. Além de artistas internacionais, grandes nomes nacionais também estarão presentes como Alok, Emicida, Fresno, Pabllo Vittar, entre outros. 

Em setembro, a cidade do Rio de Janeiro recebe o Rock in Rio, festival de música idealizado pelo empresário brasileiro Roberto Medina. De 2 a 11, artistas como Dua Lipa, Gus N´Roses, Iron Maiden, Justin Bieber se apresentam nos palcos da capital fluminense. Além dos nomes internacionais, grandes nomes nacionais também estarão presentes como Capital Inicial, Djavan, Ivete Sangalo e Ludmilla. 

Distante do eixo Rio- São Paulo, o Vila Mix Festival é um dos maiores eventos de música sertaneja, originalmente sediado em Goiânia. O festival já percorreu diversas cidades do Brasil.  Ainda não foram divulgadas as atrações, mas a  promessa para 2022 é de uma edição histórica para o meio do ano, em Goiânia. O Festeja também reúne grandes nomes da música sertaneja e de outros gêneros brasileiros em edições por todo o país. Até o momento, as datas das próximas edições ainda não foram reveladas . 

Em contrapartida, o Planeta Atlântida, o maior festival de música do sul do país com mais de 20 anos de história e diferentes atrações, optou por cancelar a sua edição de 2022. “A gente queria muito realizar uma edição incrível – e tentamos intensamente – mas o novo cenário de incerteza da pandemia gera muitas dúvidas e decidimos colocar a segurança do público, das equipes, dos artistas, dos parceiros e de todos os gaúchos em primeiro lugar”, relatou o festival em comunicado oficial. 

Impacto da pandemia

Os impactos desses dois anos de pandemia afetaram diversos setores, como é o caso do mercado cultural. Para a Secec, existe uma mudança no modo que o público consome cultura, assim como no trabalho dos profissionais do entretenimento, que, por meio da Internet, se reinventaram com alternativas de espetáculos, shows e festivais online. 

O acesso quase instantâneo dos meios digitais acelera a velocidade de consumo de informações, que somadas à demanda reprimida do público se tornam um dos grandes desafios para o setor cultural. “Conciliar esses novos canais com a experiência física ainda incomparável para fornecer ao público uma jornada completa de entretenimento”,  explicou o sócio da R2 sobre as dificuldades da nova fase do entretenimento .

Novos caminhos e ensinamentos, são essas as palavras que o produtor cultural descreve quando questionado sobre o período pandêmico “Desde o acesso a compra do tickets até a possibilidade de aquisição de bebidas com antecedência, são uma necessidade única gerada pelas facilidades que foram descobertas”.  

No meio de tantas perdas, Piano enxerga um legado e avanços que trazem comodidades para o público final. Com as medidas restritivas, o setor cultural precisou se reinventar para  facilitar o fluxo e evitar aglomerações. “O que gera na realidade maior rapidez de atendimento e menos filas, não tem nada que um ser humano deteste mais em termos de diversão do que estar numa fila” , realça o produtor cultural. 

Retorno dos eventos 

O Brasil possui 67,19% da população totalmente vacinada contra a covid-19. O otimismo dos trabalhadores do setor cultural é que com o avanço da vacinação e consequentemente as flexibilizações das normas sanitárias permitam o retorno dos eventos. 

“A flexibilização das normas sanitárias está acontecendo de forma gradual e por conta disso, vários cuidados ainda precisarão ser mantidos, a abertura de eventos apenas para pessoas com o esquema vacinal completo já é uma realidade em diversas regiões do país”, pontua  Emediato.

Para além das questões sanitárias, o sócio da R2 produções esclarece as demandas do público por uma experiência inovadora em toda a jornada além do show, desde a produção de conteúdos a cuidados com a sustentabilidade. Público muito expressivo e a velocidade de venda cresceu bastante, declara Piano. “Se a gente pudesse mensurar seria na expectativa de 20 a 25% a velocidade de venda que a gente teria dia em relação a um período pré-pandêmico”, informa ele. 

No balanço levantado pelos entrevistados, é de otimismo para o próximo ano, que será marcado por um aumento do consumo e da busca por entretenimento. “Daqui para frente tudo vai ser diferente, a gente vai ter um momento de prosperidade para todas as famílias que estão envolvidas na indústria do entretenimento e passaram por tanta dificuldade. Esse momento de dor sirva para gerar novos conteúdos, novas ondas de criatividade porque arte se sobressai nesses tempos” , conclui o produtor cultural. 

Informações de SBT News