Argentina é primeira a produzir vacina russa Sputnik V na América Latina

MOSCOU/BUENOS AIRES (Reuters) – Uma empresa argentina produziu lotes teste da vacina russa Sputnik V contra a Covid-19, marcando a primeira fabricação do imunizante na América Latina, com planos para aumentar a escala no meio do ano enquanto a região como um todo lida com novas altas nos números de infecções.

O Fundo Soberano russo RDIF e Laboratórios Richmond anunciaram nesta terça-feira que a companhia farmacêutica argentina havia conduzido a primeira produção teste e que os lotes seriam enviados ao Instituto Gamaleya, na Rússia, para a realização de uma inspeção de qualidade.

“Estimamos que, se o processo for positivo, a produção em escala começará em junho de 2021”, disse a Richmond em nota, acrescentando que tem o objetivo de deixar a vacina pronta “no menor tempo possível para o país e a região”.

O programa de imunização da Argentina depende pesadamente da Sputnik V. O país sul-americano foi um dos primeiros no mundo a utilizar a vacina em escala para imunizar sua população e tem enfrentado atrasos para conseguir outras vacinas.

O país tem visto casos do novo coronavírus atingirem altas recordes desde semana passada, forçando o governo a apertar as restrições em torno da capital Buenos Aires e a prometer a aceleração do programa de vacinação.

O cientista russo Denis Logunov, um importante desenvolvedor da vacina Sputnik V, afirmou na sexta-feira que a vacina tem eficácia de 97,6% contra a Covid-19 em uma avaliação no mundo real, a partir de dados coletados de 3,8 milhões de pessoas.

O número do estudo supera a taxa de 91,6%, apresentada em resultados de um estudo de grande escala da Sputnik V publicado na revista médica The Lancet no início do ano.

(Reportagem de Polina Devitt em Moscou e Nicolas Misculin em Buenos Aires)