Litro do leite ficou 14,5% mais caro nos últimos 12 meses

Nunca os pecuaristas receberam tanto pelo leite, quanto no último mês. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), em março, o valor médio pago por litro aos produtores foi de R$ 2,21 – o que representou uma alta de 14% em relação a março do ano passado.

Mas, não se trata de generosidade. A indústria está pagando mais pelo litro do leite para que os pecuaristas consigam repor a alta do custo de produção registrada no último ano. Sem o incentivo, muitos fornecedores reduziriam ou até paralisariam suas produções, o que poderia levar a uma falta de matéria-prima.

A fazenda administrada pelo pecuarista Thiago Nogueira, localizada em Mogi Mirim, no Interior de São Paulo, tem 5.500 vacas, sendo que 1.150 delas estão em lactação. Só a alimentação dos animais corresponde a 60% dos gastos de produção do rancho. Os custos, porém, sofreram um aumento drástico com a alta registrada, nos últimos 12 meses, nos preços do milho (21,7%) e do farelo de soja (15,4%), que são os principais ingredientes da ração animal. Além disso, os custos também foram impactados pelas altas do diesel (66,2%) e da energia elétrica (54,9%).

Segundo o gestor da propriedade, o reajuste no valor pago pelo leite foi fundamental para manter a entrega de 32 mil litros feita, diariamente, a uma empresa multinacional. “Quando você aumenta a produção de leite dessa vaca, com o mesmo custo fixo, você está tirando mais leite. Então, isso ajuda a diluir os custos variáveis”, explicou Thiago Nogueira.

Na outra ponta, quem sente é o consumidor, que já sente no bolso essa mudança. “Um absurdo… em todos os lugares está assim, todos. E eu não consigo ficar sem leite”, diz a dona de casa, Rita Moreno. Nos supermercados, derivados como queijos e iogurtes registraram alta de 13,5% nos últimos 12 meses, de acordo com o IBGE. Já o leite longa vida subiu 14,53%.

Informações de SBT News