Mais de 47 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2021

Em janeiro do ano passado, Leonardo Ceschini matou a esposa, Érica Fernandes, durante uma discussão por causa de futebol, em São Paulo. Ela foi uma das 1.341 vítimas de feminicídio no país em 2021, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (28). A maioria das vítimas era negra (62%). Os casos aconteceram dentro de casa (65,6%) e o autor foi o próprio companheiro ou o ex (81,7%).

Apesar do crime, Leonardo já está solto, o que revolta Aline Fernandes, irmã da mulher morta por ele. “Como um assassino confesso pode estar solto, continuando a vida dele normal, enquanto a vida da minha irmã foi ceifada?”, lamenta ela, quase um ano e meio após o caso de feminicídio.

Os feminicídios, aliás, tiveram uma leve queda em relação a 2020 (-1,7%), mas boa parte dos indicadores relativos à violência contra mulher cresceu no decorrer do ano passado: ameaças, (597.623), agressões (230.861) e as ligações ao 190 (370.209).

Os crimes de violência sexual também subiram (66.020 ; 4,2% no comparativo com 2020). As vítimas tinham menos de 13 anos (61,3%) em seis a cada dez casos. Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno Nunes, os dados mostram que é preciso agir antes que esse tipo de crime aconteça.

“A gente precisa [educar]. Ninguém nasce violento.”

“A gente precisa necessariamente atuar na prevenção. Isso passa por falar com meninos e meninas, com crianças sobre igualdade, falar sobre educação sexual”, comenta Samira em contato com o SBT Brasil. “A gente precisa [educar]. Ninguém nasce violento”, complementa a especialista.

Crimes contra a comunidade LGBTQIA+

Pela primeira vez, o levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública incluiu crimes de perseguição (27.722 casos) e de violência psicológica (8.390). Houve alta também nos registros de racismo (31%) e violência contra a população LGBTQIA+ (agressões 35,2%; homicídios 7,2%; e estupros, 88,4%).

Números sobre assassinatos no Brasil

Outro dado alarmante é o número de assassinatos no Brasil: um em cada cinco homicídios no mundo acontece aqui (taxa 22,3 por 100 mil habitantes). Também chama a atenção a interiorização da violência. Isso porque 13 dos 30 municípios mais violentos do país estão na chamada Amazônia Legal, em áreas de fronteira, dentro ou próximos de reservas indígenas.

No geral, o número representa queda em relação aos indicadores de 2021. No entanto, com mais de 47 mil homicídios registrados no ano passado, o Brasil figura como o oitavo país do mundo com assassinatos.

“Tudo isso vai revelando como o crime organizado vai tomando conta do território.”

“Percebemos que a violência está associada ao garimpo ilegal, à questão do desmatamento, à questão da grilagem de terras”, analisa o diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima. “Enfim, tudo isso vai revelando como o crime organizado vai tomando conta do território.”

O mapeamento revela, ainda, que os brasileiros estão mais armados. Há quase 4,5 milhões de armas em estoques particulares. Porém, a cada três registradas, uma está em situação irregular. Houve também um salto de quase 500% (+473%) nos registros ativos de caçadores, atiradores e colecionadores, de 2018 a 2022.

“A liberação de armas de fogo não guarda nenhuma relação com a queda de homicídios porque se a tese do discurso oficial fosse verdadeira, nos estados com maior crescimento na circulação de armas seriam os estados com maior queda no número de mortes violentas intencionais”, observa Sérgio de Lima.

Informações de SBT News