“Mãozinha do amor”: luvas de látex quentes imitam toque humano para pacientes de Covid no interior paulista

Por Leonardo Benessatto

SÃO CARLOS (Reuters) – A luta contra a Covid-19 é solitária: os pacientes são obrigados a se isolar em unidades de tratamento intensivo longe de familiares e amigos.

Mas duas enfermeiras da cidade paulista de São Carlos descobriram uma maneira de ajudar com um milímetro de látex e um pouco de água quente que imita o toque humano.

Semei Araújo Cunha e Vanessa Formenton improvisaram a técnica que batizaram de “mãozinhas do amor” trabalhando na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Felícia.

Elas preenchem luvas médicas de látex com água quente em um chuveiro da unidade e as amarram como balões.

Cunha demonstrou como posiciona as luvas em um homem inconsciente com Covid-19 que luta pela vida, colocando uma luva de cada lado da mão.

“O paciente se sente acolhido como se alguém estivesse de mãos dadas com eles”, disse Vanessa.

O homem é um dos vários pacientes que compartilham um quarto pequeno do unidade, cada pessoa ligada a uma série de máquinas que monitoram seus sinais vitais com uma cacofonia de bipes e alarmes.

As duas enfermeiras desenvolveram o método cerca de um mês atrás, quando a atual disparada brutal de Covid-19 ganhava velocidade –hoje o Brasil é o líder mundial de média de mortes diárias de Covid-19 e só perde para os Estados Unidos no total de óbitos.

Aquecer as mãos dos pacientes tem vários benefícios além do apoio emocional que podem oferecer, disseram elas, como melhorar a circulação sanguínea.

Mãos frias podem gerar medições incorretas dos níveis de oxigenação sanguínea dos pacientes, mostrando-os mais baixos do que estão. As luvas impedem que isto aconteça.

Hospitais de toda a cidade já estão usando a técnica, e funcionários elogiam as “mãos de amor” por causarem efeitos imediatos.

“É algo que não tem explicação, é inacreditável você ver o quanto é rápido a evolução do paciente (com essa técnica)”, disse Semei.