Os marcos históricos e curiosidades do Oscar 2022

A primeira festa do Oscar aconteceu em 1929 e começou como uma espécie de ação entre amigos em um salão de festas pequeno do hotel Roosevelt, em Hollywood. Foi uma festa com 270 pessoas e ingresso a US$ 5. Com mais de nove décadas de premiação, a celebração já aconteceu em dez locais diferentes da capital mundial do cinema e agora, em 2022, volta à casa oficial, o Dolby Theater, com quase três mil convidados.  Por causa da pandemia, a edição do ano passado foi realizada em uma área arejada da Union Station, estação central de trem de Los Angeles. 

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, neste momento, conta com mais de 10.300 membros, e milhares deles foram convidados nos últimos anos na tentativa de deixá-la mais plural e diversa. Em 2021, dos 395 novos membros, 46% são mulheres, 39% vêm de comunidades étnicas/raciais sub-representadas e 53% da comunidade internacional, de 49 países fora dos Estados Unidos. 

Essa internacionalização da Academia, que já vem acontecendo há alguns anos, trouxe resultado na lista dos indicados e vencedores de anos anteriores, como a da produção sul-coreana Parasita, em 2020.

Neste ano, três produções internacionais também fizeram história na lista dos indicados.

Fuga conquistou uma inédita tripla indicação como Melhor Documentário, Melhor Animação e Melhor Filme Internacional. A emocionante produção dinamarquesa conta em formato de entrevista e animação a história real de um menino refugiado e sua saga em sair do Afeganistão em direção à Dinamarca.

A disputa de Melhor Filme Internacional também registra um feito inédito, com a primeira indicação para uma produção do Butão, A Felicidade das Pequenas Coisas, de Pawo Choyning Dorji. 

Mas, o favoritismo repousa no longa japonês Drive My Car, adaptação do diretor Ryûsuke Hamaguchi das histórias de Haruki Murakami. O longa foi indicado a três categorias além de Filme Internacional: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção e a maior de todas, Melhor Filme.

Atores, atrizes e recordes

O ator Troy Kotsur, de No Ritmo do Coração, já entrou para história como o primeiro ator surdo a ser indicado ao Oscar, concorrendo como Melhor Ator Coadjuvante, e desponta como o grande favorito.

A Academia sempre se rende às nostálgicas narrativas autobiográficas de cineastas, como neste ano com Belfast, que deu ao diretor, roteirista e coprodutor Kenneth Branagh o recorde em número de categorias em que já conquistou indicações, sete no total da carreira.

Pelo mesmo filme, a dama Judi Dench, no alto dos seus 87 anos, é a artista mais velha a ser indicada na categoria de Melhor Atriz.

Com as sete indicações a sua refilmagem do musical Amor, Sublime Amor, Steven Spielberg também bateu recorde: 11 longas produzidos por Spielberg já foram indicados a Melhor Filme, em seis décadas diferentes. Ele acumula também oito indicações a Melhor Direção, somando no total foi nomeado 19 vezes.

Steven Spielberg enfrenta novamente Jane Campion (Ataque dos Cães), na categoria de Melhor Direção, como aconteceu em 1994. Na época, ele com A Lista de Schindler (vencedor) e ela com O Piano. A favorita à estatueta deste ano é Campion, que já fez história sendo a primeira mulher com duas indicações a Melhor Direção e deve ser a terceira mulher, finalmente, a levar o prêmio na categoria, depois de Kathryn Bigelow, em 2010 (Guerra ao Terror) e Chloé Zhao, no ano passado (Nomadland).

A diretora de fotografia de Ataque dos Cães, Ari Wegner também, pode também fazer história. A australiana foi indicada por Melhor Fotografia, até hoje nenhuma mulher levou o Oscar nesta categoria. Ela é apenas a segunda mulher a ser indicada, depois de Rachel Morrison, em 2018, por MudBound: Lágrimas Sobre o Mississippi

Indo para o mundo da música, as cantoras Beyoncé e Billie Eilish conquistaram as suas primeiras indicações ao prêmio de Melhor Canção Original. Beyoncé com Be Alive, tema do filme King Richard: criando campeãs e Billie com No Time to Die, de 007 – Sem Tempo Para Morrer.

Mas, apesar de parecer que neste ano o Oscar pode ser das mulheres, com os holofotes para Jane Campion, apenas 28% dos indicados são mulheres, a menor porcentagem dos últimos três anos.

Custo dos filmes

As produções que concorrem na categoria principal comprovam que orçamento não é fator determinante: Drive My Car custou US$ 5 milhões, enquanto Duna, US$ 165 milhões. Nem o mais caro, nem o mais barato são favoritos, mas No Ritmo do Coração, que vem crescendo nas últimas semanas como possível vencedor, teve um orçamento de US$ 10 milhões, enquanto o grande favorito, Ataque dos Cães, US$ 35 milhões (estimado).

Os filmes com os menores orçamento, Drive My Car e No Ritmo do Coração, têm as mais altas notas de aprovação — se comparados com os outros indicados na categoria principal — no site Rotten Tomatoes, que reúne a avaliação do público.

Lembrando que o show deste ano acontece em 27 de março e terá apresentador, o que não acontecia desde 2018. Wanda Sykes, Regina Hall e Amy Schumer dividirão o microfone.

Informações de SBT News