Papa condena conservadores da Igreja por estarem envoltos em “armadura”

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O papa Francisco fez uma aparente crítica aos conservadores que resistem às mudanças na Igreja Católica Romana nesta quinta-feira, lamentando aqueles cuja religião ele disse ser autorreferencial e envolta em uma “armadura”.

Na Missa da Festa da Epifania do Senhor, Francisco pareceu dirigir críticas específicas àqueles indispostos a aceitar sua decisão de restringir a missa tradicionalista em latim, dizendo que a liturgia não pode ficar presa em uma “língua morta”.

“Teremos nós ficado presos por muito tempo, aninhados dentro de uma religiosidade convencional, externa e formal que não aquece mais nossos corações e muda nossas vidas?”, questionou o papa.

“Nossas palavras e nossas liturgias acendem no coração das pessoas o desejo de caminhar em direção a Deus, ou são uma ‘língua morta’ que fala apenas de si e para si mesma?”

A missa em latim saiu de uso geral após o Concílio Vaticano 2º de 1962 a 1965 e foi substituída pelas línguas locais.

Em julho, tendo argumentado que a missa em latim estava sendo explorada pelos anti-reformistas para prejudicar a unidade da Igreja, Francisco endureceu as regulações sobre quando a língua pode ser celebrada, anulando as decisões de seus dois predecessores.

Desde então, alguns conservadores, incluindo bispos, têm desafiado abertamente o papa, resultando no último capítulo do que alguns apelidaram de “guerras litúrgicas” da Igreja.

A fé não é “uma armadura que nos envolve; pelo contrário, é uma viagem fascinante, um movimento constante e inquieto, sempre em busca de Deus”, disse Francisco.

O papa fez seus comentários durante a homilia de uma missa na Basílica de São Pedro no dia em que os cristãos comemoram o que a Bíblia diz ser a chegada dos três reis magos a Belém após o nascimento de Jesus.

A participação foi limitada a cerca de 1.500 pessoas devido às restrições da Covid-19.

(Por Philip Pullella)

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