Policial que matou ex-mulher teria obrigado vítima a abortar e a ameaçava: ‘não sabe do que sou capaz’

O relacionamento de policial Dyegho Henrique Almeida da Silva com a ex-mulher Franciele Cordeiro e Silva, teria terminado há um mês, após um ano juntos. O casal se separou após ele ter a obrigado a vítima a abortar o próprio filho, segundo boletim de ocorrência registrado junto à polícia. Na noite desta terça-feira (13), o homem atirou na vítima e horas depois, tirou a própria vida.

Conforme consta no BO, quatro dias antes do ocorrido, Franciele estava indo para casa quando recebeu uma ligação do policial. Dyegho a ameaçou, dizendo que ela ‘iria pagar tudo o que fez, pois não sabia do que ele era capaz’. Ele disse, ainda, que estava ‘a ponto de fazer cagada’ e a xingava frequentemente.

Em seguida, a filha da vítima ligou para a ela para dizer que o policial estava rondando a casa dela, transtornado. Desde o dia 9 de setembro, Franciele não dormia mais em casa por medo do que poderia acontecer.

Terror psicológico

A casa estava alugada em nome dos dois e, para chantagear a vítima, Dyegho comunicou a saída para a imobiliária. Dessa forma, ela teria que sair também. As “provocações” contra Franciele começaram após ela pedir para ele sair de casa.

O casal teve desavenças no ano passado, quando Franciele descobriu que estava grávida. O policial não queria que ela tivesse o filho e insistia para que ela abortasse. Em dois meses de gravidez da companheira, Dyegho colocou um medicamento abortivo na vítima e assim que ela descobriu, os dois brigaram e o homem saiu de casa.

Com sete meses de gravidez, o policial montou o berço do bebê e, como ela pensava que ele estaria de acordo em relação ao nascimento do filho, eles teriam reatado. Horas após a reconciliação, a vítima sentiu dores e foi ao hospital. Franciele deu a luz e a criança nasceu prematura, sobrevivendo por apenas cinco dias. Novamente, ele teria inserido um medicamento abortivo na genitália da mulher, que só percebeu após o nascimento do bebê.

No hospital, Dyegho começou a chorar e pediu desculpas por tudo que fez para ela e a filha. Ela ficou com depressão e o policial ficou afastado por um mês do trabalho pelo psiquiatra.

Policial atirou na ex-mulher

Na tarde desta terça-feira, o policial atirou emFranciele, que estava dirigindo um Citroën branco, e se trancou dentro do veículo com ela. Dyegho não permitiu que a vítima tivesse atendimento médico.

A mulher permaneceu com vida por algumas horas. No entanto, devido aos ferimentos, morreu dentro do carro, sem receber atendimento, e Dyegho tirou a própria vida.

A situação aconteceu entre as ruas Chile e Francisco Nunes. Para controlar a situação, equipes policiais isolaram duas quadras para cada lado dessas ruas.

Dyegho estava em uma moto. Ele desceu, se aproximou do Citroën e efetuou diversos disparos. A filha de Franciele, 13 anos, também estava dentro do veículo e conseguiu correr.

Em nota, a PM lamentou o ocorrido:

“Sobre os fatos ocorridos no final da tarde/início da noite desta terça-feira, a Polícia Militar do Paraná, inicialmente, se solidariza com os familiares das vítimas e lamenta o acontecido.

Todos os procedimentos de segurança foram adotados pelas equipes policiais desde a primeira intervenção e as tratativas foram feitas de forma incessante.

Neste momento é fundamental mover todos os esforços para amparo das famílias e as motivações serão devidamente apuradas posteriormente”.

Errata

Na primeira versão desta matéria, algumas informações tinham sido atribuídas à Polícia Militar. Na realidade, o relato que aparece na matéria foi feito pela própria vítima às autoridades policiais durante o registro do boletim de ocorrência. Pelo equívoco, pedimos desculpas.