Homem que tentou matar ex-mulher e a deixou tetraplégica vai a júri popular

Familiares, amigos e a Frente Feminista de Londrina estão uma vigília durante o Julgamento de Emerson Henrique de Souza, ele responde por tentativa de feminicídio contra Cidneia Aparecida Mariano da Costa, ocorrido em 08 de abril de 2019, o caso foi a júri popular nesta quarta-feira. Emerson teria asfixiado Cidneia e a deixado em uma estrada no distrito da Warta. 

Hoje Cidneia não fala e também não anda. Depende totalmente dos cuidados da mãe e da cunhada. Emerson está preso desde de abril de 2019. A família de Neia, como é conhecida, ainda sofre com o crime brutal. 

“A defesa por exemplo junto ao processo videos, em que Néia aparece em situações diversas do cotidiano, com toda aquela alegria empolgação que era muito característica dela e a gente vê aqueles vídeos sabendo que nunca mais vai ser daquele modo né, ao mesmo tempo nós produzimos, temos veiculado as imagens de como Néia se encontra no momento né, é um contraste inominável, dentro de uma vida muito alegre para uma vida que se reduz a capacidade de respirar.” afirmou Silvana Mariano, irmã de Cidneia.

Cleotildes Mariano é mãe de Neia. Ela conta que a filha entende nitidamente a situação e está sem dormir, por conta do julgamento. 

“A hora que minha filha viu que eu estava vindo pra cá, ela gritou na cama, eu fui lá dei um beijão pra me despedir dela. Aí eu falei para ela: filha o que puder, o que depender da mãe eu vou pedir por justiça, ela piscou, aí eu dei um beijo na testa dela e na bochecha dela e vim.” afirmou Cleotildes Mariano, mãe de Cidneia. 

O filho mais velho de Cidneia, Matheus, que morava junto com o casal e os irmãos, lembra que as brigas não aconteciam na frente deles, mas que dias antes do acontecimento a mãe chegou a procurá-lo. 

“Foram coisa de 1, 2 dias antes só, aí quando eu conversei com ela, que ela sempre pedia a minha opinião antes de fazer qualquer coisa, aí quando eles brigaram pela primeira vez ela perguntou para mim como que ia ser se terminasse com ele porque querendo ou não ele ajudava em casa e eu ainda era de menor, aí eu apoiei ela e ela falou que ia terminar com ele no sábado, só que no domingo estava com ele lá aí aconteceu o que aconteceu.” afirmou Matheus Mariano, filho de Cidneia.

O caso se tornou emblemático em Londrina e o advogado da família de Cidneia busca a pena máxima por tentativa de feminicídio e o júri é resposta para o aspecto machista cultural.