Jovem denuncia carta que recebeu de vizinho criticando roupas curtas: “Aqui não é zona, não!”

Ana Paula Benatti, de 22 anos, recebeu um bilhete nada agradável de um vizinho, que se sentiu incomodado com as vestimentas da moradora e decidiu deixar um recado embaixo da porta dela, no distrito de Iguatemi, em Maringá, no noroeste do Paraná. (Leia na íntegra)

Nesta terça-feira (11), a jovem decidiu procurar a polícia para registrar um boletim de ocorrência (B.O). Em entrevista à Rede Massa, a moça que trabalha como escriturária em um hospital, contou que se sentiu vigiada pelos moradores e que está tomando as devidas providências.

“Estou indignada e sentindo nojo da pessoa que fez isso porque a liberdade de ser que eu sou fica onde? Eu já tomei as providências na Justiça e estamos correndo atrás para saber quem fez isso comigo. Simplesmente, escreveram a carta e colocaram embaixo da minha porta. Nem se identificaram”, diz a jovem.

Ana Paula esclarece os fatos à reportagem da Rede Massa. (Foto: Reprodução/Rede Massa)

A moradora contou que se mudou há seis dias e que não conhece ninguém no condomínio. Assim que recebeu o bilhete, imediatamente Ana Paula comunicou o síndico e levou o caso à polícia.

“Fiz uma reunião com subsíndico do prédio, que vai analisar as câmeras de segurança pra tentar descobrir quem fez isso. O que essa pessoa fez foi calúnia contra a minha pessoa, ela não me conhece”, afirmou.

A carta

Escrita à mão, a carta do morador do condomínio afirma que o local onde é família e que têm pessoas casadas, de diversas religiões, alegando que a moça deve usar ‘roupas adequadas’.

“Senhora 102, gostaríamos que tivesse o pudor e decência de usar roupas adequadas nas dependências do condomínio. Aqui mora gente de família, então por favor dá-se o respeito. Muda o jeito de se portar neste lugar ou vamos conversar com a dona do apartamento. Aqui não é zona não! Obrigado”.

(Foto: Reprodução/Facebook)

Abalada com a situação, a jovem compartilhou a imagem nas redes sociais.

“Quando eu comecei a ler a carta, eu comecei a chorar e fiquei nervosa. A princípio, pensei em jogar fora, mas se eu fizesse isso ninguém ia ver o que aconteceu. Quantas outras pessoas não passaram por isso e ficaram caladas?”, lamentou.

A Polícia Civil de Maringá investiga o caso.