Morre em Curitiba o ex-prefeito Saul Raiz aos 91 anos

O prefeito Rafael Greca lamentou a morte do engenheiro e ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz, ocorrida na noite de sexta-feira (3), aos 91 anos, e decretou luto oficial de três dias na cidade.

“Bendita seja sua memória, foi um grande prefeito”, disse Greca. “Foi notável no desenvolvimento dos bairros de Curitiba, na implantação de creches e escolas. Também brilhou como executivo das Indústrias Klabin”, completou.

Nascido em Curitiba em 1930, Saul Raiz foi prefeito da capital entre 1975 e 1979, tendo sido nomeado pelo governador Jaime Canet. Além de gestor público, com atuação também no governo do estado (veja mais abaixo), desenvolveu carreira no setor privado – foi presidente da Klabin (empresa de papel e celulose) por dez anos. Foi também responsável pelo Grupo de Integração de Política e Transporte do Banco Mundial, para Região Sul do Brasil.

Carreira

Saul Raiz entrou na vida pública, em 1950, como topógrafo da Prefeitura de Curitiba. Em 1952, se tornou engenheiro da Prefeitura, tendo chefiado a área de Urbanismo na gestão de Ney Braga (1954-1958). Criado a Lei de Zoneamento da capital. É dele também o projeto do Mercado Municipal de Curitiba, inaugurado em 1958.

“Eu vivi intensamente a Prefeitura de Curitiba. A cidade era pequena, conhecíamos todas as ruas”, disse Saul Raiz em entrevista ao Programa Memória Paranaense em 1988.

Em 1960, comandou a campanha eleitoral do candidato Ney Braga ao Governo do Estado. Em 1961, Saul foi nomeado diretor do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), entre suas obras está a Rodovia do Café, que liga Apucarana a Paranaguá, passando por Ponta Grossa.

“Eu fui chamado com a missão de unificar o Paraná, ligar Curitiba a Ponta Grossa e Apucarana a Londrina”, contou ele ao Programa Memória.

Canalizou o Belém

Entre as obras de destaque durante sua gestão na prefeitura, está a canalização do Rio Belém, que acabou com as enchentes na região do Centro e Centro Cívico.

O ex-prefeito, no entanto, gostava de destacar seu trabalho na área da educação municipal. Considerava sua principal obra a estruturação de escolas municipais nos bairros – modelo que tem reflexos positivos até os dias atuais, com uma ampla e distribuída rede de ensino espalhada pela cidade.

A tradicional Avenida das Torres também é projeto de sua gestão.

Depois da Prefeitura, voltou ao governo do Estado na segunda gestão do Ney Braga quando criou a Secretaria de Desenvolvimento Municipal que trouxe para o Paraná o primeiro projeto do Banco Mundial de sustentação de empréstimo para as cidades de médio porte. Ficou no cargo até 1982, quando disputou o governo do Estado, sendo derrotado por José Richa.

Manteve-se presente em quadros partidários até o fim da vida.

Filho dos imigrantes eslavos israelitas dona Etla e seu Leizor, foi casado com dona Mirthe, com quem teve as filhas Rosana e Vanessa.