Protestos de caminhoneiros não bloqueiam estradas; portos funcionam normalmente

Por Leonardo Benassatto e Ricardo Brito

SANTOS/BRASÍLIA (Reuters) – Os protestos convocados por caminhoneiros nesta segunda-feira não bloqueavam estradas federais e portos-chaves do país operavam normalmente, de acordo com informações do Ministério da Infraestrutura divulgadas pouco depois do meio-dia, após a polícia chegar a usar bombas de efeito moral durante a madrugada para dispersar manifestantes perto do Porto de Santos.

O acesso ao porto, no entanto, não chegou a ser bloqueado, após uma decisão liminar da Justiça que proibiu o bloqueio dos acessos ao porto, principal via de escoamento das exportações brasileiras.

Em boletim mais recente divulgado por volta do meio-dia de segunda, o Ministério da Infraestrutura afirmou, com base em informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Rodoviária Federal, que não havia registro de nenhuma ocorrência de bloqueio parcial ou total em rodovias federais ou pontos logísticos estratégicos.

“Resta apenas um único ponto de concentração no km 276 da BR-116/RJ (Dutra), em Barra Mansa. Sem bloqueio e sem abordagem a caminhoneiros que seguem viagem. Portos seguem operando normalmente. Também não foi registrada nenhuma ocorrência em centros de distribuição de combustíveis”, afirmou.

No início da tarde, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), por meio da assessoria de comunicação, contabilizou protestos em localidades de cinco Estados: Porto de Santos, em São Paulo, Volta Redonda, no Rio de Janeiro, Porto de Ijuí, no Rio Grande do Sul; Porto de Salvador, na Bahia; e em São José dos Pinhais, no Paraná.

A entidade não dispõe do número de transportadores que aderiu aos protestos e alegou que os profissionais atuam de forma pulverizada. Disse ainda ter a expectativa que a adesão dos caminhoneiros aos protestos, que devem ocorrer por tempo indeterminado, aumente nos próximos dias.

Os caminhoneiros reivindicam, entre outros pedidos, a mudança na política de preço do óleo diesel da Petrobras e a adoção do piso mínimo do frete. Até o momento, segundo a CNTTL, não foi feito qualquer contato de autoridades.

GÁS LACRIMOGÊNEO

De acordo com os boletins divulgados pelo Ministério da Infraestrutura ao longo da madrugada desta segunda, em nenhum momento houve bloqueio de pista nas rodovias federais ou impacto de protestos sobre as operações dos portos.

Em Santos, um vídeo publicado nas redes sociais mostrou a ação da polícia usando bombas de gás lacrimogêneo. Manifestantes no local reclamaram que a ação da polícia aconteceu apesar de não ter havido ocorrido bloqueio da pista.

“Nós não estávamos bloqueando a via, o trânsito estava livre. Deixamos todas as vias para os caminhões. A verdade é que tem uma liminar de um juiz aí que não deixa nem a gente protestar, que é nosso direito. A gente está pedindo só o que é nosso direito”, disse à Reuters o diretor operacional do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos da Baixada Santista (Sindicam), Romero Costa.

“Os caminhoneiros autônomos estão pedindo o que é direito deles, que é o frete mínimo, a aposentadoria especial e a luta contra esse preço abusivo da Petrobras, esse preço que está o diesel que já não está dando mais”, acrescentou.

Em outubro, o preço do litro do diesel cobrado nos postos registrou sua sexta alta mensal seguida, segundo pesquisa da marca de gestão de frotas da Edenred Brasil. O litro do combustível estava em média em 5,214 nos postos do país, alta de 5,76% ante setembro, com o mercado refletindo altas nos preços de petróleo no combustível comercializado pela Petrobras, de acordo com levantamento da Ticket Log (IPTL).

Quando o valor é comparado à média de outubro do ano passado, o aumento chega a 42% nas bombas, situação que tem provocado protestos dos caminhoneiros.

A política de preços da Petrobras, atrelada à cotação internacional do petróleo e à variação do dólar frente ao real, tem impactado também nos preços da gasolina e contribuído para uma elevação da inflação no país.

A alta dos preços dos combustíveis também tem afetado a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que na semana passada disse que a Petrobras serve para lhe dar dor de cabeça e atender a seus acionistas. A União é a maior acionista da Petrobras.

O presidente tem falado recentemente também de suas intenções de privatizar a petroleira.

Na semana passada, Bolsonaro afirmou que pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, um estudo sobre a possível privatização da Petrobras, mas disse que o processo não seria simples, porque dependeria de aprovação do Congresso a um eventual projeto enviado pelo governo federal.

Nesta segunda, durante entrevista a jornalistas na Itália, Bolsonaro voltou a dizer que o ideal seria privatizar a petroleira e disse que o governo estuda usar os dividendos que recebe da estatal para reduzir o preço dos combustíveis.