Polícia investiga assédio sexual em colégio de Apucarana

A Delegacia da Mulher de Apucarana, no norte do Paraná, deve ouvir nos próximos dias um professor do Colégio Cívico-militar Padre José Canale, que fica na região do Jardim Ponta Grossa. O docente foi denunciado por assediar alunas, conforme boletim de ocorrência registrado há quase um mês, pela mãe de uma aluna. O caso foi confirmado pelas autoridades à Tribuna, nesta segunda-feira (30).

Administrativamente, o caso já está na Ouvidoria do Núcleo Regional de Educação, que deve fechar nesta terça-feira (3) o relatório do caso a ser enviado para a Secretaria de Estado da Educação (Seed). Informações do colégio e do núcleo dão conta, inclusive, de que o professor seria reincidente, com casos semelhantes registrados desde 2019, mas que não teriam avançado por falta de provas na fase de apuração.

Familiares de alunas fizeram contato com a Tribuna, informando sobre o caso, confirmado nesta segunda-feira (02) pela Polícia Civil, pela direção do Núcleo Regional de Educação e também pela direção da escola.

Segundo relatos de familiares de alunas do colégio, até um abaixo assinado foi feito pelos estudantes, pedindo que o professor não retorne mais às atividades. Segundo o chefe do Núcleo Regional de Educação, professor Vladimir Barbosa da Silva, o professor denunciado estaria afastado por motivos de saúde, sob atestado médico.

Um familiar do aluno informou à reportagem que há uma predisposição dos alunos de não mais assistirem às aulas do professor, caso ele retorne. Familiares também informam que esse episódio não seria o primeiro envolvendo o professor, que já teria sido denunciado anteriormente. Nesta segunda-feira (02) uma mãe de estudante informou que há um segundo boletim de ocorrência contra o mesmo professor, inclusive dando o número do documento.

A ouvidoria do Núcleo Regional de Educação admitiu a reincidência de denúncias contra o mesmo professor. Questionada sobre o fato de o professor ainda não ter sido afastado, considerando as reincidências citadas pelos pais e confirmadas pelo NRE, o ouvidor, professor José Carlos dos Santos informou que o afastamento só poderia ser feito depois de um processo administrativo. Ele disse que uma sindicância anterior foi arquivada porque não foram feitas representações contra o docente e que as pessoas envolvidas não compareceram para dar seus depoimentos. “Foi arquivado por falta de provas”, explicou.

A ouvidoria está, agora, com todos os documentos em mãos sobre a nova denúncia e informou que deve fechar o relatório do caso para a Seed no máximo até esta terça-feira (3).  José Carlos dos Santos informou que em seu relatório deve recomendar à Seed que seja aberto um processo administrativo contra o professor. Nesse tipo de caso, havia a possibilidade de uma sindicância, mas, diante dos fatos e documentos juntados, já seria possível ir direto para o administrativo.

Já na instância policial, a delegada responsável pelo caso, Luana Lopes, informou que o boletim de ocorrências foi registrado no dia 8 de abril, quando foi instaurado o inquérito policial. A ocorrência foi denunciada pela mãe de uma adolescente, aluna do colégio, que já passou pela chamada escuta especializada, ou seja, foi atendida por uma psicóloga.

A delegada Luana Lopes informou, no entanto, que deve pedir a prorrogação do prazo para o inquérito, que venceria nesta semana, para que sejam feitas todas as oitivas necessárias. Nos próximos dias, informou, devem ser intimadas para as oitivas na fase de instrução do inquérito a mãe da vítima, que fez as denúncias, uma colega da estudante e também o professor denunciado.

O diretor do Colégio Cívico Militar Padre José Canale, o professor Roberto Carlos de Oliveira, mais conhecido como Canela, também confirmou a denúncia contra o professor, ocorrida no início do mês passado, quando encaminhou o caso para o Núcleo Regional. “A gente mantém isso em sigilo até para não expor ninguém sem provas. Mas todos os procedimentos administrativos foram adotados imediatamente”, disse. Ele não soube dizer desde quando exatamente o professor denunciado está afastado das funções, por motivos de saúde.

Com informações do portal TNOnline.