Cinemateca de Curitiba exibe “São Ateu” com entrada franca

O filme “São Ateu”, de Hiro Ishikawa, será exibido no dia 06/10, às 19h, na Cinemateca, em Curitiba. O diretor Hiro Ishikawa vai estar presente e participa de um bate-papo ao final da sessão.

A obra gira em torno de Dido, um homem de vida bastante comum, até o dia em que é escolhido por Deus para ser o profeta que vai anunciar ao mundo sua aposentadoria. Se até Deus se cansou da humanidade, o mundo dos deuses também se agita, afinal, é preciso redefinir a ordem espiritual do planeta. A vida de Dido, o ‘São Ateu’, muda radicalmente, e ele fica na mira da humanidade, do Diabo e de outros Deuses, que querem se aproveitar dos seus poderes de profeta.

Falando de religião e relações de poder de maneira questionadora e bastante irreverente, o longa de estreia de Hiro Ishikawa mistura comédia, fantasia e ficção científica. “Tento mostrar no filme um mundo paradoxal, quase sem sentido, onde a fé e o poder se combinam de maneira divertida e trágica, o que nos leva a uma estranha sensação lúdica de viver num mundo onde tudo é possível apesar de todas as impossibilidades”, comenta o diretor.

Formado em Imagem e Som pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Hiro Ishikawa é diretor de diversos curtas-metragens premiados em festivais nacionais, e dois documentários televisivos, incluindo “A Plebe é Rude”, que estreou em 2016, no Canal Brasil, e colocou Hiro em contato com Clemente Tadeu Nascimento, músico na banda Plebe Rude e fundador da banda Inocentes. Considerado um dos pioneiros do punk rock no país, ele encarna uma versão de Jesus no filme ‘São Ateu”.

Paulo César Peréio, um dos grandes atores do cinema nacional, é o próprio Deus. Com cerca de 80 longas metragens no currículo, o gaúcho também acumula inúmeros trabalhos na televisão, e, por muitos anos, foi uma das vozes mais requisitadas no mercado da propaganda.

O Diabo é representado pelo personagem de Zemanuel Piñero, que iniciou carreira no teatro na década de 1970. Com passagens pela televisão, em novelas da TV Globo como Caminho das Índias, Passione, Avenida Brasil e, mais recentemente Amor de Mãe (2021), atuou em séries como A Vida Secreta dos Casais (HBO) e Rua Augusta (TNT). No cinema, os trabalhos incluem “O Cheiro do Ralo”, “O Doutrinador” e “Trabalho Sujo”.

Mesmo com Deus, Jesus e o Diabo, a família de Dido é, no fundo, a personagem principal do filme. “Afinal, quando se fala de religião, automaticamente falamos de família, de verdade”, pontua o cineasta, que escolheu um casal real, Dado e Paula Marcondes, atores de circo e teatro de Araraquara/SP, que contracenam com sua filha Laura no filme.

“São Ateu” nasce das experiências pessoais do diretor Hiro Ishikawa, que passam pela infância católica e adolescência punk. Agora, como cineasta, dá vida a essa mistura na tela, de maneira bem peculiar. “Na forma, optei por mudanças bruscas na narrativa, como se a cada momento fosse possível acontecer um milagre, um acontecimento inesperado, um mistério…”, explica.

Segundo o diretor, o desenvolvimento do roteiro levou em conta as limitações de orçamento, a começar pelo tema. “Sempre gostei de roteiros ambiciosos que trabalham com grandes questões da humanidade, com complexas estruturas narrativas no espaço-tempo. Queria falar sobre algo que fosse grandioso, mas que ao mesmo tempo fosse nada, no sentido material, por causa dos custos. Um filme sobre fé precisa só de pessoas”, conta Hiro, que pensou em locações e pessoas conhecidas para trabalharem como assistentes na equipe técnica ou atuando em papéis secundários. “Fiquei muito animado porque essa experiência de certa forma me remete aos elencos de Fellini, em que grandes atores contracenavam com não-atores que foram escolhidos pela aparência e gestos singulares.”

Feito basicamente com recursos próprios de Ishikawa e da equipe técnica, que disponibilizou serviços, equipamentos e apoio, São Ateu se tornou um filme bem paulista, com gravações feitas nas cidades de Bragança Paulista, Socorro, São Roque Monte Alegre do Sul e Pinhalzinho, ao longo de dois anos, com imagens de estúdio feitas em São Paulo. Contando com a fase de pós-produção, o trabalho levou quatro anos para ser finalizado, e mais um longo tempo de espera para chegar às telas, em razão das restrições para encontros presenciais com o público durante a pandemia do coronavírus.

Como numa turnê musical o filme fez sua pré-estreia no festival internacional ‘Sci-Fi Floripa International’, na Mostra de filmes convidados, em Florianópolis, em julho. Em agosto, São Ateu estreou no Cine Bijou, em São Paulo, percorrendo também as cidades de Araraquara e Campinas, sempre em sessões especiais, que contaram com presença do diretor e parte da equipe, para dialogar sobre o filme após a exibição.

“São Ateu” é produzido e distribuído pela Pietà Filmes e Produções. Contemplado no edital de licenciamento do PROAC Expresso Lei Aldir Blanc 41/2020, o filme ficará disponível também na plataforma gratuita de streaming #CulturaEmCasa, pelo https://culturaemcasa.com.br/.  Idealizada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, a plataforma reúne centenas de conteúdos inéditos das instituições culturais do Governo de São Paulo, além de conteúdos de outras instituições e de artistas e produtores independentes, com acesso 100% gratuito para o público.

São Ateu em Curitiba

  • Sessão especial com presença do diretor
  • Data: 06/10
  • Horário: 19h
  • Local: Cinemateca – Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco, Curitiba – PR
  • Trailer: https://youtu.be/3zSuOfWpGS4