Casos de esporotricose em gatos e humanos preocupa profissionais em Curitiba

A esporotricose, uma doença causada na pele, caracterizada por lesões nodulares e que pode atingir animais e humanos, está preocupando em Curitiba. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), neste ano foram registrados 18 casos em humanos e 165 em gatos. Em 2021, foram 100 casos em humanos e 367 em gatos.

Segundo a médica veterinária Lorena Camargo a doença acontece em todo o mundo, é causada por fungos do gênero Sporothrix. Já foi relatada em equinos, bovinos, suínos, cães, felinos e humanos, portanto, é considerada uma zoonose.

Lorena, que possui um consultório veterinário em Curitiba, relata que notou o aumento de casos de esporotricose na capital. “Temos recebido um grande número de animais contaminados, o que dificulta o tratamento, visto que este é de longo prazo e nem sempre temos um resultado satisfatório”, diz.

De acordo com a especialista, os casos podem estar relacionados ao número de felinos abandonados na cidade. Como a reprodução é rápida e fácil, sobe o número de gatos sem lares. “Isso se dá também por conta de animais contaminados terem contato com animais saudáveis. Todos os atendimentos que fizemos até o momento, são de animais capturados das ruas, pois esses são os maiores transmissores da doença”, completa Lorena.

Presidente da ONG Crazy Cat Gang, Andreza Soinegg, afirma que começaram a receber mais casos no final do ano passado e neste ano. Ela relata que no início de maio, a ONG esteve presente em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. No local, foram encontrados cerca de 30 gatos com esporotricose.

Andreza diz que antes a ONG resgatava um gato por mês com esporotricose. Atualmente, são cerca de 20 casos mensais.

A estudante Ana Paula Minosso conta que pegou esporotricose no início de março. Além dela, sua mãe foi contaminada. “Minha mãe também pegou esporotricose, um pouco mais avançada que a minha pois espalhou pelo corpo. Ela teve o primeiro sintoma em fevereiro. O gatinho que estava com esporotricose teve o primeiro sintoma em dezembro de 2021”, diz.

Ana diz que a doença começou com uma marca que parecia uma espinha. Mas logo ela começou a estranhar, pois o local “abriu”, começou a ficar maior, roxo e com pus. Ao notar os sintomas, ela procurou atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com o laudo veterinário em mãos. Ela afirma que precisou esperar cerca de um mês para conseguir o medicamento.

A gata da irmã de Ana também pegou esporotricose. “Ela não teve contato com o gato com esporotricose, mas teve contato com um vaso de flor que acabou sendo contaminado pelo gato. Assim que percebemos os sintomas levamos ela no veterinário e começamos o tratamento. A gatinha está bem e medicada”, diz.

Em nota, a SMS informou que, por meio da Vigilância Epidemiológica e da Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ), acompanha e monitora os casos da esporotricose. Em relação à eutanásia dos gatos, a lei federal 14228/21 proíbe que órgãos de controle de zoonoses realizem esse procedimento em animais com esporotricose.

A orientação da SMS é que tutores de gatos reportem, por meio da Central 156, casos em que haja suspeita da doença nos animais. Para casos em humanos, a orientação é procurar a unidade básica de saúde mais próxima da residência.

A SMS também afirma que o medicamento para tratar a doença está disponível nos postos de saúde. A secretaria não citou a existência de políticas públicas para diminuir o problema.

Tratamento e sintomas

A médica veterinária Lorena Camargo explica que nos animais, os principais sintomas de esporotricose são lesões múltiplas em formato arrendondado. Segundo ela, ocorre com maior frequência em gatos machos, não castrados e com acesso à rua. Já em humanos as lesões geralmente são como manchas na pele, com formato arredondado e podem ter secreção.

Lorena diz que a esporotricose é uma zoonose, ou seja, uma doença que passa de animais para humanos. A transmissão acontece pelo contato direto na pele, como arranhadura ou mordedura de animais doentes, além da inalação do fungo. É encontrada em locais onde há matérias orgânicas ou vegetação em decomposição.

“Pessoas que trabalham com floricultura, jardinagem, hortifruti, agricultores e médicos veterinários estão entre os que possuem maior risco de infecção”, diz a especialista.

O tratamento é feito com antibióticos. Os animais infectados devem ser tratados em isolamento. O uso da medicação deve se estender até trinta dias após a cura da doença.

Atendimento de animais resgatados

A clínica de Lorena Camargo trabalha em parceria com a ONG Crazy Cat Gang, que se dedica ao resgate e captura de gatos. O local também recebe animais de pessoas que fazem trabalho independente.

Lorena conta que atende diariamente animais resgatados. Segundo ela, alguns deles não tem convívio nenhum com humanos e por isso são assustados e acabam sendo agressivos. Outros são animais debilitados, que estão nas ruas há muito tempo e precisam se esforçar para encontrar comida e sobreviver. Esses exigem atendimento especial e, geralmente, ficam internados.

Ernestinho, disponível para adoção. | Foto: Divulgação

A médica veterinária explica que quando concluem o tratamento, com a certeza de que o animal está saudável, realizam a castração como forma de prevenção de diversas doenças, ofertando uma boa qualidade de vida para este animal.

A clínica possui gatos disponíveis para adoção responsável, alguns são pela ONG, outros de voluntários independentes. Nas redes sociais são divulgadas fotos e vídeos dos pets que buscam um novo lar.

Confira as redes da clínica e da ONG: @medvetlorenacamargo @espacopetctba @crazycatgang