Curitiba tem baixa adesão da vacina oral contra a poliomielite; campanha vai até sexta-feira

Órgãos de saúde vêm alertando para a baixa cobertura vacinal de vários imunizantes presentes no calendário infantil de vacinação. Um deles é o contra poliomielite, vírus que pode causar paralisia infantil. Pela situação, a Campanha Nacional de Vacinação foi prorrogada até sexta-feira (30).

A vacina contra a pólio deve ser aplicada em crianças menores de um ano, em três doses. É uma vacina de injeção, chamada de Vacina Inativada Poliomielite (VIP). 

Já a Vacina Oral Poliomielite (VOP), popularmente conhecida como “vacina da gotinha”, é uma dose extra que deve ser aplicada nas crianças de 1 a 4 anos que já receberam o esquema primário. Esta dose oral é o alvo da campanha do Ministério da Saúde.

Curitiba registra uma boa cobertura da vacinação de rotina contra a poliomielite: 88,9%, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A vacina da gotinha, porém, está com baixa adesão: 34,4%, como mostra o painel da Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite.

A cobertura vacinal ideal da poliomielite é de 95%. Embora a poliomielite esteja erradicada no Brasil, com o último caso sendo registrado em 1989, a baixa imunização é uma situação que preocupa, considerando que um caso da doença foi confirmado em Nova York, nos Estados Unidos, em julho; e que em agosto o vírus foi detectado no esgoto de Londres, na Inglaterra.

Poliomielite

A poliomielite é uma doença viral infecciosa e contagiosa, causada pelo poliovírus. Como explica a pediatra Milene Meller, a transmissão é feita pelo contato com pessoas doentes: “quem é infectado pode eliminar o vírus nas fezes, na água, nos alimentos e secreções de boca”, afirma.

Nos casos mais graves, a poliomielite leva à paralisia infantil. “Ele afeta o sistema imunológico e neurológico, causando paralisia de movimentos musculares, temporária ou permanente”, diz a pediatra.

Muitos infectados podem não desenvolver as sequelas mais graves e às vezes nem apresentar sintomas. Outras manifestações da pólio são febre, mal-estar, dor de cabeça, dor de garganta e no corpo, vômitos, diarreia e até meningite.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, atualmente a doença está erradicada na maior parte do mundo. O poliovírus circula de forma endêmica apenas em áreas da Ásia Central.

Vacinação

A imunização é a única forma de prevenção contra a poliomielite. “A vacina estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos, então é uma imunização ativa, bem eficaz”, explica Milene Meller. 

Nos últimos anos, a vacina contra a poliomielite vem tendo baixa cobertura em todo o Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, das 11.572.563 crianças que são o público-alvo da campanha atual, apenas 54,1% receberam a vacina oral contra a doença.

No Paraná, é possível ver como a cobertura vacinal de rotina da pólio diminuiu, especialmente nos anos de pandemia da covid-19. E em 2022, a adesão da vacina segue bem abaixo do ideal, como mostram dados da Secretaria Estadual de Saúde:

  • 2015 – 90,50%
  • 2016 – 87,53%
  • 2017 – 90,41%
  • 2018 – 90,88%
  • 2019 – 89,69%
  • 2020 – 86,07%
  • 2021 – 80,29%
  • 2022 – 67,12%

A pediatra Milene Meller diz que a situação da doença na Ásia Central e os casos recentes nos Estados Unidos e Inglaterra, aliados à baixa cobertura vacinal no país, ligam o alerta:

“De três anos pra cá, a cobertura vacinal contra a pólio vem sendo de menos de 80% no Sul e 70% no Nordeste. Isso implica três em cada dez crianças não vacinadas e, no mundo inteiro, às vezes 3 milhões de crianças a menos na vacinação. Nós não temos dados desde 1989 no Brasil, mas tivemos casos em Nova York e no esgoto de Londres. Então vale a preocupação, pois nosso índice de vacinação está baixo”, analisa.

Onde se vacinar em Curitiba

A campanha do Ministério da Saúde contra a poliomielite vai até o dia 30 de setembro, próxima sexta-feira. Ela foi prorrogada com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal do esquema de rotina e da dose oral, de reforço.

A Secretaria de Saúde aplica a vacina contra a pólio e todas as outras vacinas do calendário nacional em 106 unidades de saúde e para todas as faixas etárias (crianças, adolescentes, adultos e idosos). Há também oferta das vacinas contra gripe (para pessoas com 6 meses de idade ou mais) e contra a covid-19 (aos públicos já convocados – tanto para o esquema vacinal inicial como para doses de reforço).

Os endereços e locais de vacinação podem ser conferidos no site Imuniza Já Curitiba.