Delegado defende torcida única contra “barbárie” nos estádios

“Nós vimos e estamos sentindo que as pessoas, depois dessa pandemia, vieram piores. Vieram mais violentas, os torcedores com disposição de brigas, de guerra. Porque antigamente nós tínhamos adversário. Hoje eles se enfrentam como inimigos. E lamentavelmente isso vem acontecendo no dia a dia.” O alerta, durante a Tribuna Livre desta quarta-feira (24), na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), foi dado pelo delegado Luiz Carlos de Oliveira, responsável pela Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe), da Polícia Civil do Paraná.

Mostrando imagens de brigas entre torcedores, além de agressões a jogadores e à arbitragem, o convidado da Tribuna Livre criticou a “barbárie”, fez sugestões para conter o problema e pediu o apoio da CMC.

“Nós não temos efetivo, a polícia não tem efetivo suficiente para estar em todos os estádios e locais de jogos. A Guarda Municipal, que poderia ser utilizada, infelizmente andaram trazendo notícias de que não têm poder de polícia”, declarou o delegado da Demafe. Fora dos estádios, afirmou, “nós não somos onipresentes, nós não conseguimos estar em todos os locais de confronto”.

“Legislação, lei, nós precisamos de restrição de liberdade. Infelizmente tem que ser dessa forma. [Precisamos de] torcida única, nesse momento, porque os estádios são particulares. A Polícia Militar não atua mais dentro dos estádios”, argumentou o orador da Tribuna Livre.

Muitos dos seguranças particulares contratados pelos clubes, avaliou o delegado, não têm o preparo necessário para estar ali. “E daí sobra pra quem? Sobra pra nós.”

“Quando falamos em torcida única, não é para que nós nos isentemos de problemas e de trabalho, mas é para que dentro do estádio não ocorram as ‘barbáries’ que vêm ocorrendo”, disse Oliveira. Segundo ele, a Demafe busca o diálogo com as organizadas locais e visitantes. “Se isso não der certo, nós vamos, sim, entrar no ramo da torcida organizada junto ao Ministério Público, que é amplamente favorável à torcida única na nossa cidade.”

Conforme Oliveira, no estádio mesmo é feita a “transação penal”, na presença de um juiz, um promotor e um advogado. A sanção, muitas vezes, é para que o torcedor compareça em dias de jogos à sede da Demafe. “Hoje nós já temos aproximadamente 20 de uma torcida e 15 da outra. Eu tenho medo que amanhã tenha um confronto dentro da minha delegacia, porque o efetivo é pequeno.”

“Se nós não restringirmos a liberdade, eles vão dar risada. Eles entram por uma porta, saem pela outra e amanhã estão fazendo exatamente igual”, continuou. Para o delegado, “eles só têm medo quando vão para a cadeia”. “Nós precisamos de leis para que nós possamos restringir a liberdade desses malfeitores, ou marginais travestidos de torcedores”, reforçou.

Ambulantes e organizadas

O delegado ainda pediu que os vereadores proponham a restrição para a venda de bebidas por ambulantes, no entorno dos estádios, já que a embriaguez de torcedores é outro motivo para transtornos.

“Eles ficam bebendo o dia inteiro. Não é a bebida dentro do estádio que traz o transtorno, mas em volta do estádio já tem ali aqueles ambulantes”, afirmou. “E na hora do jogo ele está como? Bêbado. […] Aí ele joga o copo de cerveja na hora do gol, na frente tem a família assistindo ao jogo. Está feita a confusão.”

“Não é só culpa da bebida. Nas torcidas organizadas, hoje compostas por torcedores entre aspas, nós temos marginais travestidos de torcedores ingressando nas torcidas organizadas. E nós temos que combater isso, porque se a torcida organizada também não der um basta nessa violência, compete a nós, nós todos, inclusive os senhores desta Casa, cassarmos o CNPJ dessa torcida que movimenta muito dinheiro”, citou Oliveira. “Essas torcidas organizadas os senhores não têm conhecimento o tanto de dinheiro que eles conseguem arrecadar. E ali ingressa o traficante, o ladrão, o sequestrador, o baderneiro.”

“Levando em consideração apenas as instalações e os equipamentos do transporte coletivo, dados da Urbs apontam um crescimento [do vandalismo] em torno de 30%, entre os meses de abril de 2021 e abril de 2022, com prejuízo estimado em R$ 2 milhões”, acrescentou o propositor da Tribuna Livre, Tito Zeglin (PDT).

No debate com o titular da Demafe, os vereadores condenaram os episódios de violência entre torcedores, inclusive no futebol amador, e fizeram sugestões para mediar o problema, que nos últimos meses tem sido frequentemente pontuado em plenário.

Também participaram da discussão: Alexandre Leprevost (Solidariedade), Eder Borges (PP), Flávia Francischini (União), João da 5 Irmãos (União), Leônidas Dias (Solidariedade), Marcelo Fachinello (PSC), Mauro Bobato (Pode), Noemia Rocha (MDB), Nori Seto (PP), Pier Petruzziello (PP), Sargento Tânia Guerreiro (União), Sidnei Toaldo (Patriota) e Tico Kuzma (Pros).

Informações da Câmara de Curitiba.