Novo maestro assume Orquestra Sinfônica do Paraná em concerto com repertório brasileiro

O maestro Roberto Tibiriçá assume como diretor musical e regente titular da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) com repertório brasileiro no próximo domingo (27). No programa estão as icônicas Três Danças e Choro Para Piano, de Mozart Camargo Guarnieri, e as Bachianas nº 8, de Heitor Villa-Lobos, encerrando a temporada de 2022 da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP). O concerto que serve como boas-vindas ao condutor acontece no auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão) às 10h30, com a participação especial da pianista Olga Kopylova. Os ingressos já estão à venda.

“Sou convidado da OSP já há muitos anos e agora me elegeram como regente titular, o que me deixou muito honrado e muito feliz, porque gosto muito dos colegas e sou sempre muito bem recebido”, conta o maestro. “A orquestra cresceu muito e acredito que vamos poder fazer um grande trabalho”, completou Tibiriçá, que já prepara o concerto do próximo domingo, focado na obra de forte caráter modernista de “dois dos maiores compositores brasileiros de música erudita”, para poder “valorizar a nossa cultura brasileira” e homenagear os 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922.

“Poder contar com a experiência do maestro Tibiriçá à frente da nossa orquestra é um presente que o Teatro Guaíra oferece ao público paranaense”, afirma Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra. “Estamos muito felizes que ele tenha aceitado o convite e estamos ansiosos para poder mostrar ao público tudo o que estamos planejando para a próxima temporada”, finalizou.

Olga Kopylova

A solista convidada pelo Centro Cultural Teatro Guaíra para tocar no concerto deste domingo é bastante íntima da obra. Pianista uzbeque radicada no Brasil desde 2000, Olga Kopylova gravou há pouco uma versão (ouça aqui, no Spotify) dos choros de Camargo Guarnieri regida por Tibiriçá. “Amo esses dois compositores e já toquei e gravei várias músicas deles, justamente por atribuir inestimável valor a ambos”, conta.

“Como eu nunca tinha tocado com a Orquestra Sinfônica do Paraná e essa será a minha primeira vez, estou confiante de que vai ser um concerto muito especial, por se tratar de uma importante orquestra brasileira, com uma tradição de longa data e sinto gratidão por poder estar inserida neste contexto de tocar música brasileira”, afirma Kopylova, que desde 2000 atua como pianista titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Maestro Tibiriçá reforça a expectativa, elogiando a técnica de Olga: “ela é uma pianista refinadíssima, excelente”.

Concerto

Tanto Mozart Camargo Guarnieri quanto Heitor Villa-Lobos são fruto do espírito modernista que tomou o Brasil no contexto da Semana de Arte Moderna de 1922 – o primeiro foi por muitos anos protegido de Mário de Andrade, um dos grandes expoentes do grupo de artistas. Ambos irão, ainda que de formas diferentes, unir o erudito ao popular (com destaque para a incorporação dos ritmos do choro, tocados nas ruas por músicos amadores, às composições para orquestra), buscando inspiração em todo tipo de fonte para criar algo tão original quanto brasileiro.

“É um concerto que representa de uma forma marcante os temas e ritmos com coloração tipicamente brasileira”, comenta Olga Kopylova. Ela completa dizendo que “o gingado e embolado transpassam a composição inteira, do início ao fim, desafiando o intérprete a procurar pelo equilíbrio entre a flexibilidade dos fraseados e dos ritmos e precisão da participação orquestral. O solista precisa achar uma maneira de alcançar a liberdade em cada frase enquanto a orquestra responde com um acompanhamento sólido”.

Temporada 2023

“A nossa grande preocupação é agradar ao público”, crava o maestro Tibiriçá sobre o que está planejando para a temporada de 2023. Ele não entrega tudo, guardando algumas boas surpresas que serão reveladas em momento oportuno, mas já dá para ter uma ideia do que os paranaenses podem esperar para o próximo ano. A perspectiva, revela ele, é um repertório bem eclético, com solistas internacionais e grandes produções.

“Teremos um concerto do dia das Mães que vai ser uma surpresa muito boa para todos os públicos; vai ter um grande concerto de aniversário da OSP, no dia 28 de maio, com coro, orquestra e solistas; depois temos algumas apresentações, de pequenas óperas no Guairinha; La Traviatta, a ópera mais famosa do repertório lírico, uma grande produção em parceria com a Fundação Clóvis Salgado; e récitas do Balé Quebra-Nozes, de Tchaikovsky, junto do Balé Teatro Guaíra”, finaliza o maestro, com uma palhinha de tudo de bom que vem por aí.