PF deflagra operação contra quadrilha que importava cabelo humano

A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou nesta terça-feira (22) a operação Janus, que tem como objetivo reunir provas sobre a atuação de uma organização criminosa sediada em Foz do Iguaçu. Dezenas de policiais foram às ruas para cumprir três mandados de busca e apreensão, dois deles em Foz e outro, em Curitiba.

De acordo com a PF, um dos líderes da organização criminosa era justamente um servidor da Polícia Federal. O grupo usava empreendimentos de construção civil para lavar dinheiro e mantinha bens em nome de terceiros, também com o mesmo objetivo. Parte dos recursos ilegais obtidos pela quadrilha vinha do contrabando de cabelos humanos, além de operações financeiras realizadas por ‘doleiros’ no Paraguai.

Além dos mandados de prisão, o Poder Judiciário também bloqueou ativos financeiros e a constrição de patrimônio de R$ 34,8 milhões de membros da quadrilha.

Importação de cabelos

O cabelo humano era importado da Índia por meio de empresas em nome de terceiros, com o seu valor subfaturado. A parte não declarada era repassada aos vendedores através de operações cambiais irregulares denominadas dólar-cabo. Os cabelos humanos eram revendidos, no mercado interno, por valores também subfaturados.

Da mesma forma, possivelmente, essa mercadoria era importada da Índia pelo Paraguai, de onde seria descaminhada para o Brasil. Os pagamentos dessas operações, identicamente, faziam uso de operações financeiras ilegais envolvendo doleiros e contas em nome de interpostas pessoas.

Operação Janus

Na mitologia romana, Janus é a divindade de duas faces que mantém uma delas voltada para frente e a outra para trás. Considerando que a imagem do deus está ligada a olhares distintos, analogicamente, atribuiu-se a mesma ideia ao principal investigado, que exercia, aparentemente, dois papéis antagônicos: o lícito e o ilícito, já que atuava dentro da Polícia Federal e, ao mesmo tempo, liderava uma quadrilha que desafiava a própria instituição.