Advogadas forçadas a trocarem absorventes na frente de agente penitenciária denunciam abuso

Duas advogadas denunciaram uma situação constrangedora que passaram ao irem até a Casa de Custódia de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para atenderem um cliente na última semana.

Segundo o relato das profissionais, ao chegarem no local, uma agente penitenciária questionou se elas estava utilizando absorventes íntimos. Ao dizerem que sim, a agente disse que as mulheres deveriam trocar o material por um fornecido pela Casa de Custódia e que só assim poderiam entrar no local. As mulheres foram obrigadas a fazer a troca na frente da agente.

Além disso, elas também passaram pelo aparelho de inspeção corporal “bodyscan”. A agente questionou sobre uma irregularidade no sutiã de uma das advogadas e pediu para verificar a peça de roupa.

Após saírem do local, as profissionais denunciaram a situação para a Ordem dos Advogados do Brasil Paraná (OAB/PR).

“Como eu poderia estar expondo meu corpo e minha intimidade para que só então eu pudesse ter direito de realizar meu trabalho com minha colega? Fomos equiparadas a que com aquela solicitação? E se algum agente masculino abre a porta na minha frente? Enfim, diversos questionamentos passaram pela minha cabeça naquele momento”, disse uma das advogadas em carta de denúncia.

A OAB/PR repudiou o ato e o constrangimento a que as advogadas foram submetidas.

Após o ocorrido, no outro dia, a OAB/PR realizou uma reunião com representantes da Casa de Custódia de São José dos Pinhais e do Departamento de Polícia Penal (DEPPEN) do Paraná.

“O DEPPEN e a Casa de Custódia de São José dos Pinhais reconhecem que a abordagem às advogadas foi equivocada e que ambas foram gravemente violadas e expostas em seu exercício profissional, sendo certo que a situação não mais se repetirá, e lembram que este foi um caso pontual que será apurado internamente. Ainda, reiteram que há anos têm boas relações com advogados, advogadas e com OAB/PR, sempre respeitando os direitos profissionais das pessoas que precisam interagir com a instituição”, afirmaram os envolvidos em nota.

As profissionais envolvidas na situação irão entrar com uma ação contra a agente penitenciária e a Casa de Custódia.