Saldo de empregos na indústria paranaense cresce 78% em fevereiro

O desempenho positivo da produção industrial paranaense, que registrou crescimento de 11,5% entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também teve impacto positivo na empregabilidade formal do setor. É o que apontam os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).

Em fevereiro passado, o saldo de vagas criadas na indústria chegou a 9.411. O valor é 78% superior ao registrado no mesmo mês de 2020, quando o saldo foi de 5.280 novas contratações. Comparando o crescimento acumulado no primeiro bimestre deste ano (18.630) com o do ano anterior (12.795), a alta foi de 46%. Já o resultado de fevereiro frente a janeiro deste ano foi 2,1% maior. Saltou de 9.219 no primeiro mês do ano para 9.411 agora.

Até agora, somando janeiro e fevereiro, o setor acumula saldo de 18.630 novas admissões. Das 24 atividades analisadas da indústria de transformação, apenas o setor de bebidas acumula queda nos empregos formais, com fechamento de 64 vagas. Já as que mais contribuíram para um bom resultado este ano foram confecções e artigos do vestuário (3.928 vagas), seguido pelo segmento da madeira (1.477), máquinas e equipamentos (1.406), produtos de metal (1.333), móveis (1.229) e alimentos (1.096). O setor automotivo, um dos mais relevantes para o estado, também vem em trajetória de recuperação após as perdas acumuladas na pandemia. Abriu 674 vagas no bimestre.

Considerando apenas fevereiro, as atividades que se destacaram foram confecções e artigos do vestuário, que contratou 1.870 novos trabalhadores, seguido pelo setor alimentício (874), madeireiro (657), fabricação de produtos de metal (643), máquinas e equipamentos (636), e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (496).

Apesar do saldo positivo, o momento é de cautela ao avaliar o que pode ocorrer nos próximos meses. “O agravamento da pandemia da Covid19 no estado começou após a primeira quinzena de fevereiro e certamente terá reflexos na atividade produtiva e no mercado de trabalho formal no segmento industrial”, avalia o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe.

O consumo também deve sofrer interferência do atual momento. “Com o fechamento do comércio e de serviços, muita gente ficou sem renda e os recursos previstos nos programas de auxílio, divulgados pelo Governo Federal este ano, serão bem menores e destinados a menos pessoas do que no ano passado”, explica. “Isso deve reduzir as vendas e a produção nas fábricas, comprometendo uma recuperação mais vigorosa da economia brasileira este ano”, acrescenta o economista.

Felippe argumenta que por ser uma atividade essencial, as indústrias até têm mantido sua atividade, mas a paralisação de outros segmentos em cadeia afeta diretamente o ritmo de trabalho nas linhas de produção.

Informações da Agência Fiep