Brasil tem 760 mil crianças de dois a nove anos com alguma deficiência

O Brasil possui cerca de 760 mil crianças de dois a nove anos de idade com algum tipo de deficiência. O número representa 4,1% do total da população de deficientes do país, que são 18,6 milhões de pessoas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e referente ao ano de 2022.

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Fotos: Arquivo Pessoal

Quando os números são somados ao da faixa etária de 10 a 19 anos, que inclui também pré-adolescentes, adolescentes e jovens no início da fase adulta, o total chega a 1,7 milhão de habitantes. Enquanto isso, no mundo, são 240 milhões de crianças nesta situação, conforme dados do Unicef.

No sábado (9), data em que é celebrado o Dia da Criança com Deficiência, é um dia que ajuda a retomar as demandas para este grupo de pequenos brasileiros e brasileiras, em especial a inclusão em diferentes ambientes, como saúde e educação. Isso porque as deficiências podem variar, desde dificuldades de aprendizagem, de visão ou mesmo de mobilidade, segundo o IBGE, o que revela a necessidade de ações públicas e da sociedade como um todo em diferentes situações. E a tecnologia é uma das formas de garantir mais autonomia e inclusão para essas crianças.

Um dos casos de pessoas nestas faixas etárias com deficiência é o de Isabella Santos Alcântara, de 10 anos. Ela utiliza prótese na perna direita desde os dois anos de idade, pois nasceu com uma condição rara, a hemimelia tibial, quando o bebê não possui a Tíbia, um dos ossos presentes na perna do ser humano. Os pais da Isabella, Vinícius Alcântara e Flávia Santos Alcântara, moradores de São Paulo (SP), após algumas tentativas de salvar o membro da filha foram aconselhados de que a amputação da perna seria a melhor solução. “Tentamos uma cirurgia de reconstrução da Tíbia, mas isso afetaria a mobilidade dela. Com isso, preferimos a amputação e buscamos uma empresa de próteses”, afirma Vinícius.

Desde então, o casal leva a filha à clínica da Ottobock localizada em São Paulo para acompanhamento técnico e multiprofissional do uso de próteses. “Como a Isabella era muito nova, tinha apenas dois anos quando a levamos para a primeira protetização, o equipamento que ela recebeu foi bastante simples. Não havia muita mobilidade para andar e ajudava a Isabella a ficar em pé. Mas, desde então, graças à evolução da tecnologia, o uso da prótese melhorou sua mobilidade, conforme suas necessidades”, comenta Flávia.

Adaptação e acompanhamento

De acordo com o diretor de academy na América Latina da Ottobock, Thomas Pfleghar, em geral o trabalho dos profissionais envolvidos na protetização e no acompanhamento parte sempre da necessidade da criança e no ganho da confiança com o pequeno paciente. “Quanto mais novo, mais fácil para ele se acostumar, mas ainda assim é importante trabalhar de forma mais lúdica, perto do universo deles, para a melhor adaptação e aceitação do equipamento que fará parte da rotina dessas crianças”, explica.

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O especialista explica que, da mesma forma que um adulto, todas as questões específicas de cada paciente, seja criança ou adolescente, precisam ser analisadas antes da prescrição de uma prótese. “Os técnicos fazem toda a medição da estrutura corporal do paciente, levam em consideração se é uma criança ativa ou não, quais as demandas diárias dela em casa, seja escola ou em outros ambientes, para que o equipamento possa ser montado e posteriormente utilizado”, explica. Pfleghar ainda comenta que tudo isso é acompanhado ainda mais de perto devido ao crescimento e evolução orgânica da criança. “Nestes casos, é necessário lembrar que estamos tratando de uma pessoa em evolução de sua altura e de seu peso maior do que um adulto, o que demanda mais atenção”, explica.

Muitas atividades diárias

Segundo o pai, a garota faz de tudo um pouco. “A Isabella hoje em dia faz balé, educação física, aulas de teatro. Inclusive neste ano ela participou do torneio interclasses da escola e, jogando handball, conquistou medalha de prata”, diz. E a menina não dispensa um passeio com as amigas e com o colégio em que estuda, sempre aproveitando as viagens que pode fazer. “Nesses momentos percebemos que ela cada vez se sente mais independente para o manuseio da prótese”, afirma Vinícius. Um dos passeios mais recentes de Isabella foi um evento internacional: o show da cantora Taylor Swift, no mês de novembro, em São Paulo.

Para conseguir realizar todas as atividades que mais gosta com a autonomia que precisa, a garota utiliza duas próteses: uma delas é o joelho mecânico 3R67 que, de acordo com a Ottobock, oferece estabilidade e a possibilidade de caminhar em diferentes tipos de velocidade. Além dele, também utiliza o pé Taleo, que permite fácil locomoção em terrenos irregulares e íngremes, o que pode ajudar Isabella em suas brincadeiras variadas.

Em uma fase da vida em que o crescimento fica mais acelerado para Isabella, as visitas à clínica são cada vez mais focadas em ajustes necessários conforme o seu desenvolvimento corporal. “Consequentemente as próteses precisam acompanhar o crescimento dela”, diz o pai.

Tudo registrado nas redes sociais

A rotina da garota é também motivação para muitas pessoas. Isso porque os pais mantêm para Isabella um perfil nas redes sociais com quase 38 mil seguidores. A intenção inicial era focar na autoestima da filha, mas a página ganhou proporções maiores. “Outras famílias que passam pela mesma situação que passamos conseguem enxergar que ela faz tudo o que outra criança sem deficiência faz. Uma família que tem alguém na mesma situação percebe que existe solução e que existe vida após a amputação”, comenta a mãe.

E sua rotina com a prótese é um dos temas que ela aborda em seu perfil na rede social. Em um dos vídeos, do dia 19 de setembro deste ano, a pequena influencer mostrou como é o processo de encaixe do equipamento ao membro residual, a parte não amputada da perna de Isabella que se conecta com a prótese. A garota inclusive mostrou, no mesmo vídeo, como é o trabalho dos técnicos protesistas na clínica da Ottobock que ela frequenta em São Paulo. Segundo os pais, se tem algo do qual a Isabella gosta de cuidar e mostrar ao público é de sua prótese e não larga o equipamento com facilidade “Nós até pedimos para ela deixar o corpo respirar um pouco sem a prótese, mas ela só tira quando toma banho e quando vai dormir”, diz o pai.

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