Lei de doação de alimentos por comércio ainda tem baixa adesão

A lei que autoriza a doação de sobras de alimentos por bares, restaurantes e lanchonetes completou dois anos, mas ainda tem baixa adesão. É o que mostra um estudo sobre a entrega de comida em um cenário de crescimento da fome no país. 

No restaurante por quilo da Cristiane Feitosa, em média, 200 clientes são atendidos na hora do almoço. É preciso cozinhar bastante para agradar a todos. O autônomo Edmar Avelar confirma. “Tem opção não fica baseado numa coisa só.”

No estabelecimento, não há sobras perdidas de comida. No fim do dia, a dona transforma tudo em marmitas que são entregues para quem mais precisa.  

“O que sobrar, se sobrar 10, a gente vai doar 10, se sobrar 20, vai doar 20, teve sábado da gente doar 100 a 120”, explica Cristiane Feitosa.

A proprietária se baseia na lei federal aprovada há dois anos autorizando a entrega de alimentos diretamente ou através de convênios. 

Uma pesquisa feita por uma empresa de benefícios ao trabalhador, em parceria com uma startup social, (com 175 restaurantes, lanchonetes e bares) revelou que 61%  dos estabelecimentos do país geram sobras, mas somente 37% fazem doações.

Muitos nem sabiam que poderiam doar e outros temem punições. Mas a lei isenta o doador de responsabilidades.

O diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel), Percival Maricato, defende as doações, mas acha que falta incentivo.  “Algum tempo que a gente já propôs no Congresso que os alimentos doados ficassem isentos de tributação, ou seja, a pessoa comprovadamente comprou 10 quilos de arroz, mas doou 5, ela então deveria pagar o imposto sob 5.”

Com o Brasil de volta ao mapa da fome da ONU e com três em cada dez brasileiros com alguma insegurança alimentar, toda doação é bem vinda. “É uma felicidade muito grande saber que está levando essa alimentação para as pessoas que estão realmente necessitadas”, disse o pastor Amaury Figueiredo.

Informações de SBT News