Você poderá alterar sua localização a qualquer momento clicando aqui.
Ocultar   |   Alterar cidade
Você está vendo conteúdo de Curitiba e região.
Ocultar   |   Alterar cidade

Caso raro: médicos realizam cirurgia cardíaca em gestante

(Foto: Divulgação/Hospital Santa Cruz) - Caso raro: médicos realizam cirurgia cardíaca em gestante
(Foto: Divulgação/Hospital Santa Cruz)

Um caso raro chamou a atenção e mobilizou a equipe cardiológica e obstetrícia do Hospital Santa Cruz, em Curitiba, que realizou uma cirurgia para correção de um grave defeito na válvula mitral em uma paciente grávida de 27 semanas. No procedimento foi necessário usar técnicas não-convencionais para salvar a vida da mãe e da criança.

O cardiologista do Hospital Santa Cruz, Dr. Valdir Lippi Júnior, relatou que a paciente, de 33 anos, chegou ao consultório com quadros graves de falta de ar e acúmulo de líquido no pulmão, o que colocava ela e o bebê em perigo. Como no último trimestre de gestação o volume de sangue que circula na mãe aumenta em até 50%, era preciso fazer o procedimento imediatamente.

A equipe médica tentou resolver o problema por meio de um cateterismo convencional, mas “uma rara variação na anatomia do coração da paciente, causada justamente pela válvula fechada e não tratada, impediu esse tipo de acesso”, conforme explica o cardiologista intervencionista Dr. Luiz Lavalle, que compôs a equipe. Sem acesso por cateter e com a impossibilidade de realizar a cirurgia de peito aberto, com uso de circulação extracorpórea, a equipe médica precisou construir uma solução pouco convencional para o caso.

Para realizar a cirurgia, a equipe fez uma pequena abertura no tórax da gestante para atingir a ponta do coração e, em seguida, usou o cateter balão. “Fizemos a dilatação em posição invertida e o mantivemos lá dentro com uma guia metálica, algo impensável para a conduta tradicional”, explica Dr. Lavalle. “Conseguimos, com uma técnica de contra-fluxo, que não é usual para esse caso, fazer a expansão da válvula mitral com sucesso”, completou Dr. Lippi Júnior.

O procedimento durou aproximadamente duas horas, e contou com o auxílio de mais sete profissionais, entre cardiologistas, hemodinamicistas, cirurgiões e obstetras. “O trabalho sincronizado de todos esses profissionais foi muito importante porque, em caso de alguma intercorrência, teríamos apenas poucos minutos para fazer o parto, colocar a paciente em circulação extracorpórea e corrigir o problema valvar”, destaca o cirurgião cardíaco, Dr. Vinícius Woitowicz, que também participou do procedimento.

Por isso, as equipes de obstetrícia e neonatologia também estavam a postos para qualquer emergência. “Preparamos o bebê para a cirurgia da mãe com medicamentos para maturação pulmonar e neurológica. Durante o procedimento realizamos também a proteção abdominal e a monitorização fetal contínua”, descreve o obstetra do caso, Dr. Diego Esteves. O procedimento foi um sucesso, assim como a recuperação da paciente. Além disso não foi preciso realizar o parto.

Entenda o caso

A válvula mitral é responsável por separar o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo, impedindo o refluxo do sangue bombeado pelo coração. O defeito pode possuir múltiplas causas, podendo ser desde uma malformação da válvula, infecções ou até sequelas de doenças reumatológicas. Pode ser descoberto em exames de rotina ou após o aparecimento de falta de ar, arritmia e cansaço. Neste caso, foi exatamente o que aconteceu com a paciente, que até então não tinha o diagnóstico.

Informações Assessoria Hospital Santa Cruz

Grupo do Massa News no WhatsApp

Receba as principais notícias do dia direto no seu celular.

  Entrar no grupo