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Altas dos juros para pessoa física são puxadas por cartões e cheque, diz BC

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou nesta quarta-feira, 26, que os juros de crédito livre de empresas começam a mostrar alguma acomodação, mas lembrou para pessoas físicas as taxas continuam subindo, puxadas pelo cheque especial e pelo cartão de crédito.

Questionado se a autoridade monetária estaria estudando intervir nos altos juros cobrados de pessoas físicas, Maciel negou haver qualquer movimento nesse sentido. "Não conheço nenhuma informação sobre atuação do BC para conter alta das taxas de juros do cheque especial e do cartão de crédito", respondeu.

Empresas

Tulio Maciel avaliou também que é possível ver algum sinal de acomodação da queda do estoque de crédito para pessoas jurídicas. No recursos livres, a queda do estoque em setembro para as empresas foi de 0,1%, enquanto acumula um recuo de 10,3% no ano até o mês passado e de 8,2% em 12 meses. "O saldo de capital de giro mostrou estabilidade neste mês, após recuos anteriores", detalhou.

Para Maciel, a tendência no crédito para PJ continua a ser de queda, mas com acomodação. "O crédito para empresas continuará caindo, mas a taxas menores", afirmou. "O crédito para pessoas jurídicas com recursos livres é o que mais reflete o ciclo econômico e queda da renda", completou.

Crédito às famílias

O chefe do departamento econômico do Banco Central avaliou que, embora o crédito para as famílias continue caindo, em setembro houve crescimento em algumas modalidades, como o crédito consignado. No mês, houve queda de 0,3% no estoque de financiamentos para pessoas físicas.

"A queda em setembro repercutiu a redução de uso do cartão de crédito à vista, que havia crescido muito em agosto, quando ocorreu um resultado atípico", afirmou. "A redução na aquisição de veículos também puxou o crédito de pessoa física para baixo. Em setembro as concessões para compra de veículos caíram 8,5%, com o impacto da greve dos bancários", completou.

Já no estoque de crédito consignado, houve aumento de 0,4% em setembro e uma expansão de 5,5% em 12 meses. "É natural que as pessoas tentem sair de uma modalidade de crédito de custo mais elevado, como o cheque especial, para outras mais baratas, como o consignado", explicou.

Greve dos bancários

Ele esclareceu também que, mesmo se não houvesse greve dos bancários em setembro, o crédito não reverteria sua trajetória de queda.

"A tendência do crédito é de desaceleração, com expectativa de queda no ano. O resultado de setembro foi prejudicado pela greve, mas isso não significa que haveria reversão dessa tendência se não houvesse tido a paralisação", afirmou.

Segundo ele, mesmo quando a economia voltar a crescer, o crédito deverá se recuperar mais lentamente. "O crédito não irá liderar a retomada econômica, não será o protagonista, mas tende a contribuir com o processo", concluiu.

BNDES

Maciel comentou que o recuo de 0,8% no crédito direcionado para empresas tem sido um movimento comum ao longo de 2016. "Essa é uma tendência que vem desde o ano passado", completou.

De acordo com o Maciel, a menor renda prejudica o investimento, e por isso há retração nessa linha de financiamento do BNDES, que representa a maior parte do estoque de crédito direcionado para pessoas jurídicas. "A carteira do BNDES está diminuindo. O recuo do estoque de financiamentos do banco de fomento neste ano já é de 8,8%", destacou.

Maciel lembrou que também houve alterações nas condições dos financiamentos do BNDES, com a alta da TJLP e a redução de linhas com juros subsidiados como o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). "Portanto, o cenário macroeconômico e alteração das condições de crédito justificam redução da carteira do BNDES", completou.

Corte na Selic

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central destacou que o BC espera que o corte da Selic se reflita nas taxas de juros aos tomadores, mas a autoridade monetária não estima um prazo para isso ocorra. "Muitas vezes acontece inclusive uma antecipação de movimento das taxas de juros em relação à Selic, mas em outras vezes há mais defasagem", afirmou.

Segundo ele, já é possível ver um movimento de redução pequena dos juros para empresas. "O capital de giro, por exemplo, já tem a menor taxa (24,7% ao ano) desde julho de 2015", detalhou.

Desconto de duplicatas, antecipação de faturas e outras modalidades também tiveram recuo nas taxas em setembro. "Há uma percepção de melhora no ambiente macroeconômico. Os níveis de incerteza que estavam presentes na economia agora são menores", avaliou.

Por outro lado, o juro do crédito para as famílias continua com taxas crescentes. Os juros do cheque especial (324,9% ao ano), por exemplo, têm batido recordes mês a mês neste ano.