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Altônia desponta como maior produtor de limões do Paraná

Altônia desponta como maior produtor de limões do Paraná

A produção de limões taiti ocupa atualmente parte importante da economia da cidade de Altônia, que se tornou a maior produtora deste tipo de fruto cítrico no Paraná. Com população estimada em 21.867 (dados do IBGE relativos a 2016), cerca de 150 produtores se dedicam ao cultivo de citros no município.

De acordo com o Deral (Departamento de Economia Rural da Seab – Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná) as 220 propriedades são responsáveis por movimentar aproximadamente 15% da produção agropecuária de Altônia. O montante correspondeu a R$ 28 milhões na safra de 2016, sendo que todo o setor agrícola gera para a cidade uma receita estimada em R$ 180 milhões.

Antônio Carlos Fávaro, engenheiro agrônomo do Deral, informa o limão taiti ocupa cerca de 300 hectares de área cultivada em Altônia. Para efeito de comparação, a cidade com a segunda maior área plantada no Estado é Andirá, com 44 hectares.

Em cada hectare estão plantadas entre 600 e 650 plantas. “Antigamente eram cultivadas cerca de 400 plantas por hectare. Hoje foi reduzido o espaçamento e as plantas têm menor porte, pois o período de produção é mais curto. Já foi a época em que um limoeiro produzia durante 15 ou 20 anos. Agora a substituição deve acontecer para evitar doenças e manter a produção mais estável”, informa o agrônomo.

Em Altônia estão plantados aproximadamente 135 mil pés de limões, que em 2016 produziram 16 toneladas da fruta. A maior parte desta produção é comercializada nas Ceasas de Curitiba, Foz do Iguaçu e Maringá e apenas um pequeno montante abastece o mercado local.

Pioneiro

Ademar Costenaro, 56 anos, é um dos produtores que apostou no plantio de limões. Ele reside com sua família em uma propriedade rural na Estrada Seringueira e há mais de 22 anos se dedica ao cultivo de citros. A produção do sítio mantém mais três famílias que residem no local.

Na propriedade estão plantados cerca de 8 mil pés de frutas, sendo a maior parte laranja (das variedades folha murcha e pera rio), além de limão taiti e poncã. A produção é escoada, através de intermediários, para centrais de abastecimento em Foz do Iguaçu, Toledo e Cascavel. São cerca de 10 alqueires cultivados.

Costenaro explica que o limão produz durante todo o ano. A laranja pera rio tem seu ápice em abril e a folha murcha segue com produção até o mês de dezembro. Para o agricultor, a durabilidade e o preço do limão têm compensado. A fruta é comercializada por valor médio de R$ 15 a caixa, durante período mais longo, enquanto a laranja é vendida em média a R$ 20.

Porém, as doenças que atingem os laranjais estão causando transtornos para os produtores. O greening é a principal delas. No dia em que a reportagem de OBemdito esteve no sítio 20 pés de poncã tinham sido arrancados em decorrência do aparecimento dos sinais característicos do greening. O ‘arranquio’ é o método mais indicado para estancar a proliferação imediata da doença.

Diversificação

Na propriedade, além das frutas havia uma granja de frangos – que foi desativada temporariamente e agora deve voltar a funcionar. Para Costenaro a integração é essencial, pois o esterco produzido no aviário serve para adubar o pomar. “Entre 2011 e 2014 estava muito difícil para sobreviver da laranja e nos mantivemos com o frango. Porém, depois que a Averama fechou ficamos sem ter para quem entregar as aves e agora nos mantemos com os citros. Então é uma troca”, explica.

Todo o trabalho na propriedade é feito pelos sócios e suas famílias. São eles mesmos que colhem as frutas e cada um recebe um percentual. Para o produtor, a vantagem deste sistema é manter todos unidos. “Não podemos nos queixar. Estamos sobrevivendo do cultivo das frutas e ainda mantemos nossos filhos em casa, nos ajudando”, conta.

André Costenaro, 26 anos, é filho de Ademar e José Augusto Costenaro, 25 anos, é seu sobrinho. Os dois trabalham na propriedade e já aprenderam que a lida com as árvores frutíferas é diária e árdua. Ambos fizeram cursos para aprender o manejo adequado e a identificar pragas.

“Se não ‘vacinar’ o pé no início ele não vai produzir nada”, explica José Augusto, se referindo à aplicação de inseticida quando a planta ainda tem pequeno porte. E ele reconhece o pior problema para o pomar. “A saúva é nosso maior inimigo hoje. Duas saúvas são capazes de acabar com uma planta nova em apenas um dia”, conta.

Apesar das dificuldades, a propriedade pioneira no plantio de citros em Altônia deve continuar neste rumo. “Antigamente plantávamos café, depois tivemos bicho da seda, mas as frutas, junto com o frango e algumas novilhas de engorda tem dado o melhor resultado”, afirma Costenaro.

Apoio técnico

Para iniciar o plantio de citros, Costenaro teve o apoio técnico da Emater e da Cocamar. A Seab também auxilia os produtores de Altônia com acompanhamento mensal para análise de área cultivada e produção média, além da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), que ajuda nas questões relativas às pragas e doenças.

Fávaro explica que o solo do Arenito Caiuá é bastante recomendável para o plantio de citros. “É um solo arejado e a região tem temperatura ótima ao longo do ano, com chuvas bem divididas. Por isso o plantio de citros se comporta bem em todo o Noroeste do estado”, explica o agrônomo.

Prova disso é que a região de Paranavaí é a maior produtora estadual de laranjas, seguida por Cruzeiro do Oeste, que atualmente possui cerca de 1.050 hectares cultivados da fruta. O limão, mais resistente do que a laranja às doenças, está se tornando uma boa opção.

Colaboração O Bemdito

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