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Bolsa sobe 2,1% e dólar recua, apesar de tensão política; JBS avança 19%

O Ibovespa, o principal índice da Bolsa, iniciou a sessão em baixa, repercutindo a cautela dos investidores com o cenário político.

A preocupação inicial dos investidores era com as votações do ajuste fiscal no Congresso após o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ter sido afastado do cargo por liminar concedida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello.

Os temores eram de adiamento da votação, em segundo turno no Senado, da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que limita os gastos públicos, cuja sessão está marcada para o próximo dia 13.

Entretanto, a Bolsa inverteu o sinal ao longo do pregão e ampliou os ganhos após a notícia de que a Mesa Diretora do Senado recusou-se a afastar Renan da presidência da Casa.

O Senado encaminhou ao STF uma decisão da Mesa Diretora em que informa que aguardará a decisão do plenário do tribunal sobre a questão.

Para Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora, o mercado está otimista em relação à aprovação da PEC dos gastos públicos em segundo turno no Senado. "Os investidores estão apostando numa possível reversão do afastamento de Renan", afirma.

O Palácio do Planalto, no entanto, acha pouco provável que Renan consiga reverter a decisão no plenário da Suprema Corte, em julgamento aguardado para esta quarta-feira (7), e admite que o segundo turno da votação da proposta dos teto de gastos públicos pode ficar apenas para o ano que vem.

Analistas avaliam ainda que o sucessor de Renan no caso de o STF confirmar o afastamento, Jorge Viana (PT-AC), não teria como barrar a votação em segundo turno da PEC dos gastos públicos.

"Há um acordo entre líderes para a votação da matéria, fundamental para o futuro do país. Resta aguardar se este acordo será mesmo cumprido", afirma José Raymundo Faria Júnior, diretor-técnico da Wagner Investimentos.

"Ainda não se formou avaliação consistente dos efeitos da sucessão de Renan por Jorge Viana sobre o andamento da votação da PEC do Teto", escreve José Francisco de Lima Gonçalves, economista do Banco Fator. O PT é contra a PEC.

Os analistas destacam ainda como positivo o envio da proposta de reforma da Previdência ao Congresso.

Bolsa

O Ibovespa fechou em alta de 2,10%, aos 61.008,25 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,8 bilhões.

Apesar da queda de cerca de 2% do petróleo no mercado internacional, as ações da Petrobras avançaram de 3,12% (PN) e 3,27% (ON).

Os investidores reagiram à notícia de que a estatal decidiu reajustar os preços da gasolina e do diesel nas refinarias. A Petrobras anunciou ainda o reajuste do gás de botijão para grandes consumidores.

"A notícia é positiva para a empresa. Muitos investidores estavam céticos em relação à metodologia de preços de combustíveis, quando a companhia precisasse elevar os preços de derivados", comenta o analista Celson Plácido, a XP Investimentos, em relatório.

Mas a maior valorização do Ibovespa foi das ações ordinárias da JBS, que ganharam 19,07%, a R$ 11,05.

A gigante do setor de alimentos anunciou nesta segunda-feira (5) uma revisão em seus planos de reorganização, prevendo um pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos em 2017 de uma subsidiária na Holanda. Essa subsidiária vai concentrar todas as operações internacionais da JBS e da Seara, mantendo a sede do grupo no Brasil.

A ação ON da JBS foi a terceira mais negociada do Ibovespa, atrás apenas de Petrobras PN e Vale PNA.

"A diferença entre a reorganização anunciada ontem (5) com aquela que foi vetada pelo BNDES é que a JBS Foods Internacional será uma subsidiária da JBS Brasil, e não o contrário, como foi sugerido anteriormente", escreve a equipe de análise da Guide Investimentos.

"A reorganização nos EUA ainda permitirá a empresa ter acesso a outros mercados de crédito e equity [de capitais], com taxas mais atraentes, além de exigir uma melhor governança", acrescenta a Guide.

As ações ordinárias da Localiza subiram 7,87%. A locadora de veículos fechou acordo para comprar as operações brasileiras da norte-americana Hertz, avaliadas em R$ 337 milhões.

Câmbio e juros

O dólar iniciou a sessão em alta, refletindo a cautela com o cenário político, mas mudou a direção na reta final da sessão. A moeda americana à vista encerrou a sessão em queda de 0,52%, a R$ 3,4084, e o dólar comercial perdeu 0,34%, a R$ 3,4180. No exterior, a moeda americana teve comportamento misto.

Contribuiu para conter o avanço do dólar a atuação do Banco Central, que fez pela manhã a rolagem de mais 15 mil contratos de swap cambial tradicional que vencem em janeiro. A operação equivale à venda futura de dólares, e somou US$ 750 milhões.

No mercado de juros futuros, os contratos de prazos mais curtos terminaram em baixa, refletindo a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. O documento, divulgado nesta terça-feira, reforçou as apostas de um corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica de juros em janeiro, ao destacar o ritmo fraco da economia.

Os contratos de longo prazo, no entanto, subiram, após a queda forte na véspera.

O CDS (credit default swap) de cinco anos brasileiro, espécie de seguro contra calote, perdia cerca de 2,7%, aos 301 pontos, indicando menor percepção de risco.

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