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Bovespa sobe 2,37% com sinalização de gradualismo do Fed

No dia em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) elevou as taxas de juros norte-americanas, a Bovespa teve uma sessão de ganhos expressivos. A reação positiva nesta quarta-feira, 15, foi justificada pela sinalização de que o Fed manterá o gradualismo no ciclo de aumentos de juros do país. As bolsas americanas e emergentes responderam com alta e o Índice Bovespa terminou o dia com ganho de 2,37%, aos 66.234,87 pontos. Os negócios somaram R$ 9,89 bilhões.

Confirmando as expectativas, o Fed elevou a taxa dos Fed funds para o intervalo entre 0,75% e 1,00%. A decisão foi tomada por 9 votos a 1, com o voto contrário do presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, que defendia a manutenção dos juros. A nota divulgada pela autoridade monetária mostrou que os dirigentes preveem três elevações de juros neste ano, contando com a de hoje. Em entrevista coletiva após o comunicado, a presidente do Fed, Janet Yellen, disse que as três altas nos juros previstas até dezembro "são, certamente, uma trajetória de aperto gradual".

"A sinalização de manutenção do gradualismo fez despencar as taxas dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), elevou as bolsas americanas, derrubou o dólar, animou o petróleo e beneficiou os mercados emergentes", disse William Castro Alves, diretor da Valor Gestora de Recursos.

A alta na bolsa foi generalizada, mas teve como destaque as ações de commodities, que refletem não apenas as oscilações das matérias-primas, mas também o apetite por risco do investidor estrangeiro. Os preços do petróleo aceleraram fortemente o ritmo de alta com que já vinham operando e levaram Petrobras ON e PN a fecharem com ganhos de 2,64% e 4,49%, respectivamente. As ações da Vale, que já vinham em forte rota de recuperação, por conta da alta dos preços do minério de ferro, pegaram carona na melhora de apetite do investidor e subiram 6,90% (ON) e 6,92% (PNA).

A repercussão positiva em torno do Fed acabou por ofuscar as preocupações com o cenário político doméstico. Analistas, no entanto, alertam que os desdobramentos e especulações em torno da entrega da "lista de Janot" devem ser o principal foco de instabilidade nos próximos dias. A decisão da agência de classificação de risco Moody's de elevar a perspectiva do rating brasileiro de "negativo" para "estável" chegou às mesas de negociação já no call de fechamento da Bovespa e teve efeito mínimo sobre os negócios.