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China deve ganhar mais influência global após vitória de Trump no EUA

A perspectiva de um Estados Unidos mais protecionista e focado em assuntos internos sob a batuta de Donald Trump abre espaço para a China expandir sua influência global.

Ao passo que o Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que exclui a China, tem poucas chances de se materializar sob um governo Trump, Pequim deve continuar a atuar para assegurar novos pactos comerciais concorrentes. Paralelamente, as estatais chinesas se preparam para expandir seus investimentos no exterior, ao longo dos países abarcados pela estratégia do "Cinturão Econômico da Rota da Seda". Para isso, eles contam com o apoio do Banco de Desenvolvimento Infraestrutura Asiático (AIIB), que será comandado por Pequim mas conta com a participação de cerca de uma centena de países.

O governo Obama alertou que um fracasso em aprovar o TPP, que é parte fundamental do "pivô" para a Ásia dos Estados Unidos, poderia resultar na China conseguindo mais vantagens comerciais às custas dos EUA. Esta semana, a ministra de Relações Exteriores da Austrália, Julie Bishop, afirmou que o colapso do TPP "deixaria um vácuo em acordos comerciais, que certamente seria aproveitado por outros".

Bishop afirmou que caso isso aconteça, a Austrália irá fazer o que puder para conseguir melhores condições para seu comércio, e mencionou em particular a Parceria Econômica Regional, um acordo que está sendo costurado entre países do Pacífico, entre eles a China, e que deixaria os EUA de fora. Separadamente, a China afirmou que iria buscar apoio para um acordo de livre comércio liderado por Pequim na região durante uma cúpula de líderes do Pacífico que acontece na semana que vem, no Peru.

"A eleição de Trump é uma espécie de retrocesso na globalização", afirmou o professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, Li Xi. Isto poderia dar, à China, a "oportunidade de expandir sua influência", acrescenta.

Nas últimas semanas, a China estreitou os laços econômicos e diplomáticos com as Filipinas, um aliado próximo dos Estados Unidos, e a Malásia. Juntos, os três países anunciaram acordos no valor de US$ 58 bilhões.

He Yimin, gerente de vendas da Xin Gang Cheng Stainless Steel Wares, um exportador baseado na cidade de Yunfu, acredita que seu país pode se beneficiar do fracasso da TPP. "Acredito que é algo bom para a China", disse. "Atualmente, os países sudeste asiático têm tido postura bastante amigável em relação à China".

Logo após o fim das eleições norte-americanas, a primeira-ministra britânica, Theresa May, sublinhou que Londres permanece "aberta para negócios com a China". Na quinta, os dois países anunciaram um plano para aprofundar os laços entre si no setor de serviços financeiros. Esta semana, em visita à Letônia, o primeiro-ministro chinês anunciou um fundo de US$ 11,1 bilhões para investimentos na Europa Oriental.

Em parte porque têm enfrentado o enfraquecimento da demanda global, os exportadores chineses estão menos dependentes dos EUA mesmo com a desaceleração da economia doméstica. Cinco anos atrás, Kin Yat exportava 100% de seus produtos. Agora, 30% do que fabrica é vendido na China. "As fábricas chinesas são bastante flexíveis, elas podem se adaptar rapidamente às mudanças", disse.

Em um setor exportador que tem sido alvo preferencial de disputas nos últimos anos, o de aço, os EUA respondem por uma parcela cada vez menor das exportações chinesas. Atualmente, o país compra cerca de 2,5% do que a China vende para fora. Dez anos atrás, essa porcentagem era de 6,6%. A criação de tarifas maiores em um governo Trump aceleraria este processo, mas não teria impacto significativo na indústria de aço chinesa.

Apesar disso, os Estados Unidos ainda é o maior parceiro comercial da China e a perspectiva de relações estremecidas por causa da postura de Trump é um motivo de preocupação em Pequim. Autoridades chinesas comentam que ainda é muito para compreender qual pode ser o efeito do novo governo na China. No entanto, um artigo publicado pela agência estatal de notícias, Xinhua, alertou contra o protecionismo, afirmando que tais políticas aceleraram a crise nos EUA durante a Grande Recessão, na década de 1930.

Alguns analistas questionam a lógica das acusações de Trump de que a China manipula sua moeda de forma prejudicial aos EUA. O país manteve por anos o yuan desvalorizado para beneficiar os exportadores mas, nos últimos anos, com os capitais deixando o país por causa da desaceleração econômica, o Banco Central tem intervido na direção contrária, tentando prevenir uma depreciação muito rápida.

"A expectativa é de que a chegada de Trump crie mais condições para a desvalorização", disse Zeng Hao, da Shanxi Fenwei Energy, uma consultoria de commodities especializada em carvão.

Fonte: Dow Jones Newswires.