Você poderá alterar sua localização a qualquer momento clicando aqui.
Ocultar   |   Alterar cidade
Você está vendo conteúdo de Curitiba e região.
Ocultar   |   Alterar cidade

Eleição de Trump ofusca IPCA abaixo da mediana e juros fecham em forte alta

A surpreendente vitória de Donald Trump na eleição presidencial nos EUA resultou em alta para os juros futuros nesta quarta-feira, 9, diante da piora da percepção de risco. Como o mercado estava todo posicionado para a eleição de Hillary, o resultado oficial impôs ajustes, embora menos intensos do que o esperado, em meio a dúvidas sobre em que medida as promessas heterodoxas de campanha de Trump serão colocadas em prática. Com isso, não houve clima para reações positivas ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo da mediana das estimativas.

Ao final da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 fechou com taxa de 12,15%, ante 12,10% no ajuste de terça. O DI janeiro de 2019 terminou com taxa de 11,54%, ante 11,41% no último ajuste. A taxa do DI janeiro de 2021 subiu mais de 20 pontos-base, de 11,21% para 11,45%.

Em boa medida, o tom conciliador do discurso vencedor de Trump - falando em "união" e que será presidente "para todos os americanos" - foi apontado como argumento para justificar um comportamento menos agressivo do mercado do que se imaginava. As taxas já abriram mostrando elevação dos prêmios de risco, em linha com o avanço do dólar ante as demais moedas de economias emergentes, que devem sofrer se, de fato, Trump implementar sua proposta de políticas protecionistas.

Além disso, a eleição de Trump traz incertezas sobre a política monetária norte-americana, uma vez que o republicano, durante a campanha eleitoral, criticou o Federal Reserve ao dizer que a presidente da instituição, Janet Yellen, mantinha os juros baixos no país para ajudar o presidente Barack Obama.

O exterior pesado acabou abafando um potencial efeito benigno do IPCA de outubro sobre as taxas. O IPCA acelerou de 0,08% para 0,26%, mas ficou abaixo da mediana das previsões (0,29%), encontrada na pesquisa do Projeções Broadcast. Outra leitura favorável veio do setor de serviços, que tem sido cuidadosamente monitorado pelo Banco Central.

A inflação mensal deste segmento subiu, de 0,33% para 0,47%, mas a taxa acumulada em 12 meses recuou de 7,04% para 6,88%, o menor patamar desde o início da série histórica apurada desde 2012. Outra boa notícia, mas que acabou ofuscada pela eleição nos EUA, foi o anúncio da Petrobras na terça de que haverá nova redução nos preços da gasolina e do óleo diesel nas refinarias.