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Empresas de carnes baixam uso de drogas nos animais

A tendência global de o consumidor exigir produtos mais naturais, sem o uso excessivo de aditivos químicos e medicamentos, está obrigando indústrias de carnes a reverem seus processos de fabricação para atender às novas demandas. Uma das principais articulações neste sentido - e alvo de muitos movimentos da sociedade civil ligados à alimentação saudável - é a redução do uso de antibióticos nas criações de bovinos, aves e suínos.

O desafio, neste caso, é manter os atuais níveis de produtividade e baixo custo, substituindo os atuais antibióticos por ingredientes naturais, como prebióticos, probióticos e ácidos orgânicos, além de fazer uso de diferentes estratégias de manejo, nutrição e sanidade. No caso de frangos, por exemplo, o uso dos produtos naturais pode significar gastos maiores na criação.

A boa notícia é que a rápida adesão das indústrias ao novo modo de criação pode fazer com que em menos de dez anos a produção, principalmente de aves, fique tão ou mais competitiva que a tradicional.

O fundador da consultoria veterinária belga Vetworks, Maarten De Gussem, aposta nessa tendência: "Há cinco anos eu diria que esse tipo de produção (com uso mínimo de antibióticos) era sempre mais custoso. Hoje, digo que depende e, daqui a menos de dez anos, será mais competitiva", disse ao Broadcast Agro, sistema de notícias do agronegócio da Agência Estado.

Na produção de carnes, os antibióticos são usados sobretudo para prevenir doenças. Há, ainda, o uso para o tratamento de problemas de saúde, e o emprego mais controverso é aquele voltado a melhorar o desempenho animal, encurtando seu tempo de engorda. Embora o tema desperte polêmicas, há suspeitas de que resíduos do medicamento na carne podem acabar gerando bactérias resistentes a antibióticos, dificultando, por isso, o tratamento de doenças infecciosas em seres humanos.

Bois e perus

Pesquisa da Cargill divulgada em agosto apontou que a maioria dos consumidores nos EUA e no Brasil quer carne sem uso de medicamentos, e a empresa já adotou medidas para reduzir a aplicação de antibióticos nos confinamentos de bovinos e na criação de perus nos EUA. O McDonalds anunciou, no mesmo mês, que restringiria o uso de frangos criados com antibióticos em suas lojas americanas. Também nos EUA, Tyson Foods e Pilgrims Pride (controlada pela brasileira JBS) divulgaram iniciativas neste sentido.

No Brasil, a tendência já chegou. Do lado da indústria de medicamentos, a Elanco, braço veterinário da Eli Lilly and Company, anunciou recentemente que até o fim do ano vai parar de ofertar no País um antibiótico de classe compartilhada (que pode ser empregado em humanos e animais) e de uso contínuo para fins de crescimento animal.

Já a marca Sadia, da BRF, fez parceria com o chef britânico Jamie Oliver para abrigar, em Goiás, 40 milhões de aves em galpões sob regras do bem-estar. Conforme a BRF, nos criatórios, o uso de antibióticos é proibido.

"Foram adaptadas todas as granjas de Buriti Alegre, ou 183 aviários", disse a BRF. Já a JBS lançou, em 2015, a linha Seara DaGranja, com carne de frango com certificado que atesta que em nenhuma etapa da criação os frangos receberam algum tipo de antibiótico. Conforme a JBS, "as aves têm um sistema de criação sem estresse. Desta forma, o animal não precisa ser medicado".

Orgânicos

Pioneira no Brasil na produção de carne livre de antibióticos e orgânica, a Korin tem acompanhado a evolução do mercado. "O mundo despertou para a questão", confirma o diretor industrial da empresa, Luiz Demattê. Segundo ele, nos últimos cinco anos as pesquisas e o mercado cresceram, com o aumento da oferta de produtos alternativos pelas empresas tradicionais e o surgimento de companhias produtoras de insumos próprios para a nova tendência.

Para exportação, a questão também se tornou importante. Em agosto de 2015, a Korin enviou seu primeiro contêiner de carne de frango orgânica para a rede de supermercados ParknShop, em Hong Kong. Foram pedidas mudanças na embalagem e nos cortes e os primeiros lotes para venda efetiva no país asiático saíram do Brasil no dia 16. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.