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Há sinais de pausa recente na desinflação de itens do IPCA, diz ata

Na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na manhã desta terça-feira, 25, os membros do colegiado afirmaram que há sinais de uma pausa recente no processo de desinflação de componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Segundo os diretores do BC, isso pode sinalizar uma convergência mais lenta da inflação à meta.

Este trecho da ata, no parágrafo 10, repete uma ideia já presente no próprio comunicado que acompanhou a reunião da semana passada, em que o BC cita a pausa recente no processo de desinflação destes itens do IPCA - na prática, os componentes da área de serviços - como um dos riscos domésticos para o cenário básico de inflação.

O Copom afirmou ainda, no mesmo parágrafo, que "a experiência brasileira recente, com período prolongado de inflação alta e expectativas acima da meta, ainda pode reforçar mecanismos inerciais". Neste contexto, conforme os diretores do BC, "uma maior persistência inflacionária requer persistência maior da política monetária".

No parágrafo 19 da ata, o BC volta a abordar a pausa recente no processo de desinflação de serviços. "A pausa se dá em níveis cuja manutenção produziria trajetória de desinflação em velocidade aquém da contemplada no cenário básico do Copom", cita o documento. O cenário básico do Copom, lembra o texto, "pressupõe uma trajetória de queda gradual à frente" desse conjunto de preços. "Dessa forma, os membros do Comitê ressaltaram que é necessário monitorar a retomada dessa trajetória".

Apesar da pausa, o texto reconhece que houve progresso "no processo de desinflação desse componente do IPCA". A desaceleração mais recente dos serviços, citam os diretores do BC, "se deve, em alguma medida, à reversão de movimento anterior em itens mais voláteis, e à evolução de componentes sensíveis à recente desinflação nos preços de alimentos".

Combustíveis

A mudança na política de preços de combustíveis pela Petrobras pode alterar no futuro as projeções do Banco Central para o reajustes de preços administrados. É o que apontou a ata do Copom.

Por enquanto, o BC preferiu manter uma trajetória para preços administrados próxima à utilizada no último Relatório Trimestral de Inflação de setembro.

Na ata, o BC também avalia outros fatores que podem influenciar, entre eles, a evidência de reduções de preços de energia elétrica mais fortes que o esperado em algumas regiões. Outro fator citado foi a possibilidade de adiamento de reajustes de preços de transporte urbano em algumas cidades.

Por outro lado, o BC inclui nesse balanço de riscos para o reajustes de administrados a possibilidade de alta acima do esperado nos preços da energia elétrica ao longo de 2017, em decorrência, entre outros fatores, de mudança de bandeira tarifária.

Os diretores do BC, na reunião do Copom, mencionaram os resultados favoráveis no curto prazo da inflação e a queda das projeções para 2016. Na avaliação do BC, o movimento de transmissão da queda dos preços de alimentos do atacado para o varejo parece ter tido continuidade. O Copom não vê evidência de efeitos secundários do choque de preços de alimentos sobre outros preços na economia. "Expectativas de inflação para 2016 apuradas pela pesquisa Focus apresentaram recuo compatível com essa avaliação", diz a ata.

O BC também avaliou na ata que a inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência da reversão da alta de preços de alimentos.

Juros EUA

O cenário externo continua benigno para as economias emergentes, mas o Banco Central reconhece que há incertezas sobre o processo de ajuste da política monetária nos Estados Unidos. Na ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores da casa notam ainda que persistem riscos no médio e longo prazos.

"Os membros do Comitê destacaram a continuidade de um ambiente relativamente benigno para ativos de economias emergentes. Entretanto, permanecem as incertezas quanto ao processo de normalização da política monetária nos Estados Unidos", destaca o documento no parágrafo 14.

Diante dessa incerteza com as decisões do Federal Reserve (Fed), a direção do BC concordou "sobre a necessidade de se monitorar o ritmo de normalização da política monetária nos EUA e suas possíveis implicações sobre a economia brasileira".

Em um horizonte mais longo, os diretores da casa citaram que "houve consenso sobre a permanência dos riscos de médio e longo prazos no âmbito externo, associados à fragilidade do nível de atividade econômica global". O texto, porém, não detalha quais seriam fatores.