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IBGE: Black Friday antecipa compras de Natal e varejo tem pior dezembro da série

As promoções da Black Friday ocorridas em novembro levaram parte dos consumidores a antecipar as compras de Natal, o que explica o recuo de 2,1% nas vendas do varejo em dezembro após uma alta de 1,0% no mês anterior. Como consequência, o desempenho registrado pelo comércio em dezembro foi o pior para o mês de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada em 2001 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Foi o pior mês de dezembro, mostrando realmente as vendas mais negativas em 2016, mais até do que em 2015, com influência da antecipação de compras mas também da conjuntura desfavorável", lembrou Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Segundo Isabella, a Black Friday tem ajudado a aumentar as vendas em novembro há cinco anos. "A partir de 2011, a distância entre os patamares de vendas de novembro e dezembro vão diminuindo. Novembro está se confirmando como mês de antecipação (de compras). É basicamente promoção de comércio eletrônico. Com o passar dos anos, mais jovens vão entrando no mercado consumidor e usando o comercio eletrônico. Não é igual ao comércio físico, mas vai se aproximando", avaliou a gerente do IBGE.

Com o recuo das vendas em dezembro, o volume de vendas do varejo está 14% abaixo do patamar mais alto, registrado em novembro de 2014. O comércio varejista recuou ao nível de agosto de 2011, calculou a pesquisadora. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as vendas estão 22,4% abaixo do pico alcançado em agosto de 2012. "É como se dezembro anulasse um pouco o crescimento de novembro. A alta em novembro foi vista como uma questão pontual, bem localizada e em cima das promoções que ocorreram", disse Isabella.

Segundo ela, apesar da ajuda do arrefecimento da inflação em direção ao centro da meta estipulada pelo governo e dos cortes recentes na taxa básica de juros, a recuperação do varejo passa obrigatoriamente pela retomada do emprego e da renda. "O mercado de trabalho é realmente aquilo que vai impulsionar o comércio varejista. É como se comercio varejista estivesse estacionado num patamar baixo", resumiu.

Inflação

A desaceleração da inflação no País ajudou o comércio varejista a reduzir o ritmo de perdas no último trimestre de 2016, segundo Isabella Nunes. O volume vendido caiu 1,2% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre do ano passado, após recuo de 1,6% no trimestre anterior, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio.

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume vendido diminuiu 0,9% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre de 2016, após uma retração de 2,6% no trimestre anterior.

"Isso tem a ver com a inflação voltando mais para a meta", avaliou Isabella. "Há uma reação das vendas a essa inflação menos pressionada. A inflação tem influência sobre a renda real. Com a inflação menos pressionada sobra mais renda para o consumidor", complementou.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, as vendas no varejo recuaram 5,5% no quarto trimestre de 2016. No varejo ampliado, a queda alcançou 7,3%.

Nas duas comparações, o varejo coleciona oito trimestres consecutivos de quedas.

"Há muito tempo que o varejo vem mostrando resultado negativo. Todas as atividades praticamente já vêm caindo há dois anos", apontou a pesquisadora.

Nos últimos dois anos, comércio varejista acumulou uma perda de 10,3%, enquanto o varejo ampliado teve uma queda de 16,6%.

"Em 2014, a desocupação estava mais baixa. A deterioração do mercado de trabalho começa em 2015. Nesses dois anos, você teve a piora no mercado de trabalho com impacto no varejo", disse Isabella.

Segundo ela, a entrada do mês de dezembro não muda a situação do varejo como um todo, que permanece estabilizado num patamar baixo de vendas.