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Indústria x Corrupção: o compliance encarado como investimento

Um estudo feito pela organização ‘Transparência Internacional’ aponta que antes da Lei Anticorrupção existir, as empresas que tinham programas de compliance no Brasil eram basicamente filiais de multinacionais. Após a Lei ser sancionada e os escândalos expostos pela Operação Lava Jato, empresas brasileiras de vários portes, entenderam a importância de desenvolver um sistema de compliance dentro do seu ambiente. Desta forma, práticas como a adoção de códigos de conduta e ética prevendo políticas de relacionamento com o setor público e com fornecedores, regras sobre a oferta e o recebimento de brindes e presentes, começaram a entrar até mesmo na meta de todos os colaboradores da empresa.

Regis Nishimoto, diretor financeiro e administrativo da Perkons (Foto: Massa News)Regis Nishimoto, diretor financeiro e administrativo da Perkons. (Foto: Massa News) 

Isso foi o que aconteceu com a Perkons, indústria que desenvolve e aplica tecnologia para a segurança no trânsito. Com 27 anos de existência, 195 colaboradores, e sede em Pinhais, desde 2015 a Perkons vem desenvolvendo e aplicando um sistema de compliance robusto e completo.

O diretor financeiro e administrativo da Perkons, Regis Nishimoto, explica que a implementação do sistema de compliance foi no modelo ‘top-down’. Tudo começou com os acionistas e com a alta direção da indústria, para depois chegar até todos os colaboradores. “É um trabalho cíclico. Nós passamos por todas as áreas e vamos identificando os riscos reais de fraude na nossa indústria analisando cada setor. Depois disso, vamos implementando medidas de controle e ações para assim reduzir os riscos de fraude dentro da nossa empresa”, conta Nishimoto.

No evento de lançamento da Rede Paranaense de Compliance, programa desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a especialista no tema, Jecqueline Leoni, que é professora e gerente sênior de auditoria da consultoria KPMG, afirmou que manter um programa de compliance não deve ser visto pelas empresas como um gasto, mas sim como investimento. 

“A cada US$ 1 investido, o retorno é de US$ 5 em economia com multas e processos e em reputação. O maior valor de uma empresa é seu nome e sua marca e o envolvimento em um caso de corrupção ou de irregularidade pode destruir uma organização”, exemplificou.

Leoni também contou que atualmente investidores não querem mais investir em empresas que não tenham implantado mecanismos de compliance.

A Perkons é um exemplo de indústria que acredita que a implementação de compliance é um investimento para a empresa. Atualmente a Perkons está no terceiro ciclo do programa de compliance, e a meta da empresa em 2018 é obter a certificação ISO 37.001. “Essa certificação é sobre suborno e corrupção e nós entendemos que para o nosso negócio, ter uma certificação assim é de extrema importância”, explicou o diretor.

(Foto: Protiviti)(Foto: Protiviti)

A notícia boa é que a Perkons não está sozinha neste barco! Uma pesquisa feita sobre Nível de Maturidade em Compliance nas Empresas Brasileiras em 2017 aponta que cada vez mais empresas enxergam o compliance como investimento. O aumento proporcional de 81% de participação, na comparação entre 2015 e 2017, demonstra interesse crescente sobre o tema e a preocupação em conhecer o grau de maturidade de Compliance da empresa.