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Juros devolvem quase toda queda registrada após Fed e expectativa por Copom

Nesta quarta-feira, 20, de decisão de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, os juros tiveram uma sessão de idas e vindas nas taxas, que, após terem encerrado a sessão regular em queda e em novas mínimas históricas, devolveram praticamente todo o movimento na etapa estendida. O mercado não gostou da proposta de aposentadoria para os militares apresentada nesta quarta ao Congresso no fim da tarde, considerada de economia baixa e com elevação de risco de diluição da reforma da Previdência para os civis.

Pela manhã, as taxas estiveram entre a estabilidade, no caso dos vencimentos curtos, e alta moderada na ponta longa. O ponto de virada à tarde foi a mensagem "dovish" (mais leve) do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), tanto via comunicado quanto pela entrevista do presidente da instituição Jerome Powell, cujo impacto não se restringiu aos vencimentos longos, mais sensíveis aos movimentos do exterior.

As taxas curtas também passaram a cair, mas com menos intensidade, depois do Fed alimentar as expectativas de que o balanço de riscos para a inflação a ser traçado no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) possa ficar simétrico. Embora o consenso seja de manutenção da Selic em 6,50%, nesta quarta apareceu na curva uma precificação mínima de corte da taxa.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou a sessão regular em 6,325%, de 6,360% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2021 terminou com taxa de 6,85%, de 6,901% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2023 fechou na mínima de 7,86%, de 7,962% no ajuste da terça-feira. A do DI para janeiro de 2025 caiu de 8,491% para 8,39% (mínima). Na etapa estendida, por volta das 17h30, o DI para janeiro de 2021 voltava a 6,91% e o DI para janeiro de 2023 estava em 7,92%. O DI para janeiro de 2025 projetava 8,45%.

O gráfico de pontos do Fed mostra que reduziu para nenhuma a projeção de alta de juros para 2019, de duas no encontro anterior, e de que vai reduzir o ritmo de redução do seu balanço patrimonial. Além disso, o presidente da instituição, Jerome Powell, em sua entrevista coletiva, constatou perda de fôlego da economia norte-americana nos últimos meses, com ponderações sobre a desaceleração da economia mundial. Houve forte reação dos Treasuries, com a taxa da T-Note recuando para o patamar de 2,53% e recuo generalizado do dólar, que nas mínimas ante o real chegou a cair abaixo dos R$ 3,74 para fechar em R$ 3,7676 (-0,57%).

O recado do Fed também ajudou na baixa moderada da ponta curta, que até então mostrava estabilidade à espera do Copom. "O Fed dove reduz muito o risco externo. Com isso, o mercado passa a avaliar que o balanço de riscos do Copom deixa de ser assimétrico e passa a ser, pelo menos, simétrico", disse um gestor. Desde a semana passada, o mercado já vinha alimentando a possibilidade de redução da assimetria do balanço de riscos em função dos números fracos da atividade, como a produção industrial e o IBC-Br de janeiro.

Internamente, as atenções estiveram voltadas para Brasília, onde o presidente Jair Bolsonaro entregou ao Congresso a proposta de revisão de carreira, incluindo as aposentadorias, dos militares.

O mercado reagiu mal. O texto pressupõe economia de R$ 10,45 bilhões em dez anos e em 20 anos, chega a R$ 33,65 bilhões. "É pequena a economia considerando o aumento de benefícios para os militares e mais o risco de isso ajudar a diluir mais a reforma da Previdência para os civis", disse uma fonte.

Pela manhã, ruídos em torno da proposta para os militares já puxavam alguma correção para os contratos, colocando a ponta longa em alta.

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