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Juros fecham em alta com piora do risco político, mas longe das máximas

Os juros futuros devolveram, a partir da última hora da sessão regular, parte do estresse causado pela prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, nesta quinta-feira, 21, mas ainda assim as taxas de longo prazo encerraram com avanço importante, dada a piora da percepção do risco político. Os juros curtos terminaram apenas com viés de alta. Declaração do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta tarde de que a prisão de Temer não traz consequências para a reforma da Previdência ajudou a aliviar a tensão, num dia em que, se dependesse apenas do exterior, positivo, o movimento das taxas seria para baixo. A repercussão do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) acabou ofuscada pelos eventos políticos.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 6,55%, de 6,325% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 passou de 6,851% para 6,87%. A taxa do DI para janeiro de 2023 subiu de 7,862% para 7,94%. A do DI para janeiro de 2025 encerrou em 8,49%, de 8,391%.

As taxas com vencimento de 2023 em diante terminaram o dia com avanço em torno de 10 pontos-base, após terem subido mais de 20 pontos no pico de estresse após a notícia das prisões. A informação da prisão de Temer veio no final da manhã com o mercado já de mau humor pela reação negativa à proposta de reforma da carreira dos militares que chegou ao Congresso e que na quarta mesmo já pressionava as taxas na etapa estendida.

A notícia veio à tona por volta das 11h20, ou seja com o leilão de títulos prefixados do Tesouro em andamento, o que, para os profissionais da renda fixa, pode ter contribuído para que a oferta não fosse colocada integralmente.

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no Rio, Temer recebeu R$ 1.091.000 em propina da Engevix, no final de 2014, segundo o pedido de prisão autorizado pelo juiz Marcelo Bretas. A investigação está relacionada a obras da usina Angra 3. Já o ex-ministro das Minas e Energia Moreira Franco era o encarregado da 'intermediação' das propinas ao ex-presidente. Moreira Franco é casado com a sogra de Rodrigo Maia, figura central na tramitação da reforma da Previdência na Câmara.

Com as prisões, o mercado reviveu o chamado "Joesley Day", em maio de 2017, quando foi divulgado o áudio comprometedor das conversas entre Temer e o executivo da JBS Joesley Batista, estancando o andamento da reforma da Previdência.

Sobre as prisões, o trader de renda fixa da Quantitas Asset Matheus Gallina diz que ajudam a tumultuar ainda mais um ambiente que precisa de organização. "A negociação da Previdência exige um certa ordem e esse fato pode desviar ainda mais o foco", disse, lembrando que o clima já era de apreensão por causa da proposta para os militares e pelo imbróglio envolvendo a falta de definição sobre a relatoria da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Contudo, Rodrigo Maia disse ao Broadcast Político. sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que a prisão de Temer não deve atrapalhar a reforma. Pró-forma ou não, a declaração ajudou a acalmar um pouco o mercado. "Trouxe um maior equilíbrio depois da zerada de posições", disse Gallina.

Quanto ao comunicado do Copom, a melhora no balanço de riscos para a inflação trazida pelo comunicado chegou a produzir algum alívio no chamado miolo da curva, nos DIs entre 2020 e 2021, pela manhã, reduzindo a precificação de alta da Selic no ano que vem. "Mas depois a prisão de Temer bagunçou o efeito do Copom", disse Gallina.

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