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Leilão pode reduzir dívida da Abengoa à metade e tem TPG como favorito

Em recuperação judicial desde janeiro de 2016, a espanhola Abengoa deve dar um passo importante para regularizar sua situação com os credores na próxima semana. Está previsto para quarta-feira o leilão de sete linhas de transmissão da empresa em operação no País, o que reduziria a dívida da companhia quase pela metade. As propostas serão entregues em envelope fechado e aberto pela juíza Maria da Penha Nobre, da 5.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pela homologação do plano de recuperação da empresa.

Os lances serão feitos em cima da proposta vinculante do fundo americano TPG (Texas Pacific Group), que fez uma oferta de R$ 1 bilhão, sendo R$ 400 milhões em dinheiro, pelos ativos da espanhola. Pelas regras, as propostas dos concorrentes terão de ser acima da apresentada pelo fundo americano. Nesse caso, o fundo teria 24 horas para fazer uma proposta 1% superior à do concorrente.

O TPG, que fechou seu escritório no Brasil no fim do ano passado, criou um fundo de infraestrutura - baseado em Pequim e em Hong Kong - para atuar em países emergentes. Uma das apostas é investir em negócios de energia elétrica, como os ativos da Abengoa, afirmou uma fonte. A gestora está sendo assessorada pelo Banco Modal no País, que não quis falar do assunto.

Nos últimos meses, vários investidores avaliaram os ativos da Abengoa. Entre eles está a Taesa, companhia que tem como sócios a mineira Cemig e a colombiana ISA, que hoje tem participação em quase 12 mil quilômetros de linhas de transmissão. A companhia foi procurada pela reportagem, mas afirmou que, pela complexidade do processo e por se tratar de um assunto estratégico, não comentaria o assunto.

Fontes do governo, que acompanham com atenção esse processo, afirmam que a documentação da empresa foi analisada por uma série de investidores, como a chinesa State Grid, dona da CPFL, e as indianas Ten Power Grid e Starlite - essa última foi vencedora de um lote de linha de transmissão no leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em abril.

Outros grupos, no entanto, desistiram de continuar no páreo. É o caso da canadense Brookfield, que nos últimos meses entrou em vários negócios, como a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), da Petrobras, e tem outras prioridades, apurou o jornal O Estado de S. Paulo. Procurada, a empresa afirmou que não comentaria o assunto.

Bom negócio

Para especialistas no setor elétrico, a área de transmissão virou um grande negócio desde que o governo decidiu revisar as receitas das transmissoras. O último leilão de projetos "greenfield" (que ainda não saíram do papel) foi considerado um sucesso e atraiu uma série de novos investidores que ainda não tinham presença no País.

O próximo leilão de novos empreendimentos deve ocorrer na semana que vem, na sexta-feira, e deve incluir alguns trechos da Abengoa retomados pela Aneel. A agência reguladora declarou a caducidade de nove concessões da Abengoa, que não cumpriu o cronograma estabelecido em contrato e paralisou 6 mil quilômetros de obras, que exigiriam investimentos estimados em R$ 7 bilhões.

O grupo espanhol entrou em recuperação judicial no Brasil no ano passado, dois meses depois de a matriz fazer o pedido na Justiça europeia. Por aqui, a medida paralisou vários projetos, entre eles a linha de transmissão que levará energia da Hidrelétrica Belo Monte ao Nordeste. A empresa foi procurada pela reportagem, mas não preferiu não se pronunciar sobre o leilão das linhas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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