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Na Suíça, saída de capital ainda é pequena

Os bancos de gestão de fortuna na Suíça estão recomendando aos clientes brasileiros com necessidades legais que façam a adesão ao programa de repatriação de recursos adotado no Brasil. Mas as instituições financeiras em Genebra e Zurique apontam que, até agora, não têm registrado um volume importante de saída de capital e dizem que essa clientela optou por uma "visão de longo prazo".

Nos últimos meses, Brasil, Argentina e México anunciaram políticas de anistia fiscal, na esperança de recuperar parte dos recursos de seus cidadãos, espalhados em contas secretas pelo mundo. Até o dia 26 de setembro, a Receita Federal contabilizava R$ 7,2 bilhões de arrecadação com o programa de repatriação de recursos enviados ilegalmente ao exterior. Na quarta-feira, 19, pela manhã, o valor atingiu a marca de R$ 18,6 bilhões. Muitos ainda aguardam para efetuar o pagamento até o prazo final de 31 de outubro.

"Constatamos um interesse de nossa clientela sul-americana pela anistia fiscal oferecida pelo Brasil e pelo novo governo argentino, em particular", disse a porta-voz da Associação de Bancos Privados da Suíça (ABPS), Fabienne Bogadi.

Mas a entidade estima que, apesar do interesse, a opção dos correntistas foi a de manter os recursos na Suíça. Entre os membros da associação estão alguns dos bancos mais tradicionais da praça financeira suíça, como o Lombard Odier, Mirabaud ou Pictet.

Diversidade e segurança

Um dos fatores que pode ter pesado na decisão de não repatriar o dinheiro, teria sido a capacidade das instituições oferecerem uma maior diversificação de produtos, em diversas moedas e possibilidades de investir "em todo o mundo, inclusive em mercados emergentes". A segurança dos bancos suíços também teria pesado, assim como a "excepcional estabilidade política e a boa saúde financeira da Suíça". "Diferente dos EUA, a Suíça conservou seu rating de AAA."

Se os bancos suíços tentam se mostrar resistentes às políticas de anistia fiscal, declarações nos últimos meses apontavam para uma real preocupação por parte dos banqueiros.

Em agosto, quem havia lançado o alerta sobre fuga de dinheiro latino-americano foi o banco Mirabaud, que lamentava o fato de que a anistia na região ocorrer logo depois de programas similares realizados pela Europa. O UBS chegou a indicar que havia saída de dinheiro de correntistas até meados do ano. O CEO do Julius Baer, Boris Collardi, descreveu a América Latina como "uma segunda Europa", ao comparar o que havia ocorrido com a repatriação de dinheiro de franceses, alemães, italianos e espanhóis. Já o Credit Suisse indicou que vários programas pelo mundo, assim como a economia global, poderiam fazer com que US$ 5,1 bilhões deixassem o banco em 2016.

O interesse pelo dinheiro latino-americano não é por acaso. Tradicionalmente, a Suíça é a sede de um terço das fortunas do mundo.Nos últimos meses, porém, a credibilidade dos bancos suíços tem sido colocada em xeque por conta de uma série de escândalos internacionais. Num deles, o da Petrobrás, mais de US$ 800 milhões foram bloqueados na Suíça. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.