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Nubank recebe investimento de US$ 80 milhões e quer atrair mais clientes

(Foto: Divulgação) - Nubank recebe investimento de US$ 80 milhões
(Foto: Divulgação)

DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Nubank, empresa que emite cartões de crédito sem anuidade e com taxas menores que as cobradas no mercado, acaba de levantar US$ 80 milhões em sua quinta rodada de investimentos, anunciou a fintech nesta quarta-feira (7).

O investimento foi realizado pela empresa DST Global, líder de fundos que faz aportes somente em empresas de internet. É o primeiro investimento da companhia na América do Sul. O fundo já apostou em redes sociais como Facebook e Twitter e no Alibaba, o gigante varejista chinês do comércio eletrônico.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, David Vélez, fundador e presidente do Nubank, afirma que o dinheiro vai ser usado para acelerar o crescimento do negócio, melhorar o aplicativo ligado ao cartão e contratar mais funcionários para analisar os pedidos de cartão de crédito.

Somando todos os aportes, o Nubank já recebeu cerca de R$ 600 milhões em seus dois anos de existência.

"Nossa situação financeira está ótima, os primeiros anos de atuação costumam ser de prejuízo e precisamos de capital para pagar a operação. Ainda estamos nesse período de investimento, mas temos boas perspectivas de crescimento rentável", afirma.

A empresa agitou o mercado quando começou a atuar no Brasil, ao oferecer taxas de juros mais mais atrativas ao cliente no rotativo do cartão de crédito e não cobrar anuidade. O cartão é administrado por meio de um aplicativo. Toda interação do cliente com a empresa é feita pelo smartphone.

Para conseguir cobrar taxas menores, o Nubank adotou desde o início uma política mais seletiva na emissão dos cartões, de forma a não impactar seus índices de inadimplência. Recentemente, elevou os juros que cobra no rotativo do cartão, mas ainda assim o patamar se mantém abaixo do observado no mercado.

Enquanto a taxa média de juros no rotativo praticada no país atinge 15,7% ao mês, segundo o Banco Central, a cobrada pelo Nubank varia de 2,75% a 14%, de acordo com o perfil de risco do cliente.

CRISE

Os planos de expansão da empresa esbarram na recessão econômica que afeta o país. A crise, porém, não preocupa Vélez.

"A gente nasceu na crise e cresceu na crise. Desde o começo, trabalhamos com uma taxa de aprovação mais baixa do que deveria ser para evitar uma inadimplência muito elevada. Agora que a crise começa a apertar, queremos acelerar o crescimento. Vamos usar o capital que recebemos para conseguir aprovar mais pessoas dentro de um público com perfil de risco bom", afirma o presidente do Nubank.

A princípio, qualquer pessoa pode pedir o cartão. Convidados por outros usuários têm prioridade na fila, afirma Vélez. Até agora, a empresa já recebeu sete milhões de pedidos de cartão -ela não divulga o número de clientes, mas informa que há 500 mil pessoas na lista de espera.

Em um mercado dominado por grandes emissores de cartões, a concorrência com os gigantes do setor não assusta a fintech, segundo Vélez.

"As fintechs no Brasil têm um grande potencial. Nos Estados Unidos é mais difícil de atuar, porque o mercado é muito competitivo. A gente está sofrendo uma pressão boa, porque estamos criando um mercado novo, que muitos não imaginavam que existia", afirma.

"Agora estamos correndo para investir nesse mercado em condições estratégicas. Os bancos também estão correndo e isso é muito bom. A gente gosta de concorrência, até porque o consumidor se beneficia muito", afirma.

DESCONTO

Em ação recente para fidelizar sua base de clientes, o Nubank começou a dar desconto para quem quisesse antecipar o pagamento de parcelas.

O desconto é calculado de acordo com a procura pela antecipação e com a quantidade de pagamentos recebidos pela empresa no dia.

"Tínhamos muitos clientes que compravam parcelado e não sabiam o tamanho de sua dívida. Vimos que muitos não queriam manter a dívida aberta, é bom para a saúde financeira do cliente. Então decidimos oferecer um desconto para quem quiser antecipar", afirma o presidente do Nubank.

A conta fecha, segundo Vélez, mesmo que a empresa não receba o dinheiro da antecipação do varejista. A empresa tem um financiamento através de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) do banco Goldman Sachs. O custo do desconto é menor que os juros que a empresa pagaria ao Goldman Sachs para usar os recursos, afirma Vélez.

O Nubank também tem trabalhado para solucionar uma das reclamações de clientes, que é a falta de um programa de pontos para resgatar benefícios como passagens aéreas e produtos. Atualmente, está testando com alguns clientes um programa do tipo que deve ser lançado no próximo ano.

Cada real gasto com o cartão equivalerá a um ponto no programa. Os pontos não vão expirar. Mas o projeto prevê o pagamento de uma assinatura para quem quiser participar.

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