Você poderá alterar sua localização a qualquer momento clicando aqui.
Ocultar   |   Alterar cidade
Você está vendo conteúdo de Curitiba e região.
Ocultar   |   Alterar cidade

Por que todos os países querem sediar uma Copa do Mundo?

(Foto: Divulgação) - Por que todos os países querem sediar uma Copa do Mundo?
(Foto: Divulgação)

Em junho de 2014, às vésperas da Copa do Mundo do Brasil, muitos protestos pelo país demonstravam descontentamento com o volume de dinheiro público gasto para organizar o torneio. Até hoje, não se tem claro quanto foi gasto no evento – muitos dos aparelhos públicos prometidos para o Mundial sequer ficaram prontos –, mas a consultoria internacional Wallet Hub publicou à època um lado financeiro mais agradável.

Para a consultoria, o custo total da Copa de 2014 foi de US$ 11 bilhões (R$ 41 bilhões) – um valor maior do que os US$ 4 bilhões (R$ 14 bilhões) utilizados para levar o campeonato à África do Sul, quatro anos antes. No entanto, a Fifa arrecadou outros US$ 4,6 bilhões (R$ 17,6 bilhões) com o torneio, sendo que 65% veio apenas de direitos de TV. O país-sede, para a Wallet Hub, historicamente tem um crescimento econômico breve por causa da Copa.

Só no setor turístico, cada Copa do Mundo movimenta uma massa de 3,7 milhões de pessoas às sedes a cada quatro anos, sendo que 600 mil dessas se deslocam de outros países. O custo médio de cada visitante do exterior durante o período de viagem é de US$ 2,5 mil (R$ 9,3 mil). Esses dados foram menores no caso sul-africano por causa da distância com outros países, mas foi maior no Brasil e é um dos grandes negócios da Rússia agora.

Considerando apenas o caso brasileiro, entre janeiro e maio, a procura por passagens para os dias de jogos na Rússia foi 520% maior em comparação com o mesmo período de 2017, segundo a agência de notícias ViajaNet. Em outras palavras, a procura por um destino incomum dos turistas brasileiros aumentou em cinco vezes.

Um estudo da empresa de análise de reserva de voos Forward Keys apontou que o Brasil foi o país que teve o segundo maior crescimento no número de reservas de voos para a Rússia entre 1 de junho e 15 de julho, o que representa um aumento de 15 vezes em relação ao mesmo período de 2017. O México ficou na primeira posição, com um crescimento de 19 vezes a mais do que o mesmo período do ano passado.

Para a Wallet Hub, o impacto econômico é um dos motivos pelos quais os governantes brigam tanto pelo direito de sediar uma Copa do Mundo de futebol da Fifa. A grande disputa nos bastidores, nos dias que antecedem o evento russo, é em torno de duas candidaturas pelo Mundial de 2026: de um lado, três países da América do Norte em uma campanha conjunta (EUA, México e Canadá); do outro, o Marrocos.

Levando em conta apenas o impacto econômico da Copa de 2014, no Brasil, há geralmente um aumento no preço médio dos voos entre as cidades (em torno de 40%), uma venda antecipada significativa de ingressos (1,6 milhão em 2014) e um deslocamento turístico incomum (3,5 milhões de pessoas). No caso brasileiro, a economia recebeu a inserção de quase US$ 30 bilhões (R$ 111 bilhões) e foram gerados 3,6 milhões de empregos.

Os impactos passados também ajudam a entender a importância econômica da Copa: no Japão e na Coreia do Sul, em 2002, foram gerados US$ 9 bilhões (R$ 33 bilhões na cotação de maio), na Alemanha, em 2006, US$ 12 bilhões (R$ 45 bilhões ), e na África do Sul, em 2010, US$ 5 bilhões (R$ 18 bilhões). Com a presença cada vez maior do celular na vida cotidiana das pessoas, a tendência é que os valores aumentem ainda mais por causa das transmissões via streaming nas redes sociais.

Os patrocinadores da Fifa, por sua vez, também têm motivos para ficar felizes com a Copa: na edição da África do Sul, em 2010, a adidas vendeu seis milhões de camisetas de futebol, o dobro das três milhões vendidas em 2006, em seu país-natal. De forma similar, o canal da Visa no YouTube foi visto 7,5 milhões de vezes, 50% a mais do que o esperado.