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Mestranda de Design se destaca com artigo sobre mapas geográficos táteis

(Foto: UFPR) - Mestranda de Design se destaca com artigo de mapas geográficos táteis
(Foto: UFPR)

Com um artigo científico que sugere um método para desenvolver mapas geográficos táteis para o ensino de cegos, uma aluna do Mestrado de Design da UFPR conseguiu destaque na revista científica InfoDesign, voltada a temas do Design de Informação. O artigo da designer Emilia Christie Picelli Sanches foi publicado na edição especial que reúne sete artigos selecionados entre os participantes do 8º Congresso Internacional de Design da Informação (CIDI) 2017, ocorrido em Natal (RN) entre outubro e novembro. No CIDI 2017, o artigo foi considerado um dos três melhores apresentados.

No trabalho, a designer apresenta as imagens táteis como ferramentas que permitem que pessoas cegas tenham acesso a informações que não seriam compreendidas por áudio ou texto em Braille. Os mapas geográficos se encaixam nessa situação. “Com treino, os cegos desenvolvem um senso tátil que os faz captar essas informações muito rapidamente”, conta Emilia. “Então os mapas podem mostrar um número grande de informações”.

Assim, Emilia adaptou a teoria à sua experiência com impressão 3D, que aprendeu a usar em um estágio ainda na graduação em Design. A intenção é propor um método fácil para popularizar o uso dos mapas táteis em instituições de ensino. Assim, pessoas que nunca conseguiram conhecer a forma do seu Estado, por exemplo, teriam essa oportunidade.

Passo a passo

O artigo publicado na InfoDesign mostra uma primeira etapa da pesquisa de mestrado de Emilia: a elaboração de um método de tradução dos mapas, de forma que eles deixem de ser imagens estáticas (bidimensionais) para se tornarem táteis (tridimensionais).

Para isso, primeiro a mestranda apresenta o conceito de mapa tátil. Depois, se baseia nos estudos do designer holandês Yuri Engelhardt e em recomendações coletadas em 22 obras específicas para enumerar fatores importantes para a eficácia do mapa. Entre as recomendações estão dispensar detalhes decorativos, reduzir ao mínimo o tema do mapa (nunca reunir mais de dois assuntos), evitar exagero de texturas e retocar a impressão caso fique áspera ou muito lisa.

Com base nesse levantamento, Emilia criou um modelo de tradução para ajudar designers a encontrarem a melhor forma de representar o tema em mapa tátil. O artigo apresenta esse modelo, composto por um fluxograma que permite decidir se a imagem tátil é a melhor forma de representar o assunto, e outros questionários que ajudam na escolha dos recursos. Na terceira fase do artigo, a mestranda apresenta os testes feitos com dois designers que seguiram o modelo e chegaram a duas soluções diferentes, mas eficazes.

Na prática

Na dissertação, que deve ser concluída em fevereiro de 2018, Emilia aborda também a experiência com os mapas táteis que ela produziu. Dona de duas impressoras 3D, a designer fez cinco mapas geográficos do Paraná: das rotas e estradas, regiões geográficas, relevo e altitude, temperaturas médias e estatístico.

Mestranda produziu cinco mapas táteis do Paraná com impressora 3D a partir de módulos montáveis

A partir disso, Emilia constatou que os mapas táteis podem ser produzidos até mesmo por impressoras 3D pequenas (mais baratas), já que o objeto pode ser confeccionado em módulos. A escolha do material também foi alvo de reflexão. “Preferi o plástico PLA porque é biodegradável, não tem cheiro nem toxicidade”, conta. Ela usou tinta no pós-processamento para impedir que a superfície tátil parecesse muito lisa.

Por causa da dissertação, que exigirá testes-compreensão com pessoas cegas, Emilia levou os mapas a escolas e entidades que oferecem educação para pessoas cegas. A Escola Estadual Dom Pedro II foi uma delas, assim como o Centro de Apoio Pedagógico (CAP), em Maringá. “Algumas mostraram interesse nos mapas, mesmo que o preço das impressoras ainda não esteja tão baixo”, diz.

Da UFPR

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