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Senai e indústrias contribuem para profissionalização e geração de renda em Maringá

(Foto: Divulgação Senai) - Indústrias contribuem para profissionalização e geração de renda
(Foto: Divulgação Senai)

No Brasil, 22,7 milhões de pessoas em idade produtiva estão sem emprego ou trabalham menos do que poderiam atualmente. O número, que preocupa pais de família, jovens e até profissionais empregados, foi divulgado na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e se refere ao segundo trimestre deste ano. Diante desta realidade, muita gente busca uma qualificação que gere renda imediata, o que pode ser encontrado em cursos de aprendizagem profissional, de qualificação e técnicos.

Este é o caminho trilhado por aproximadamente 11 mil jovens e adultos, só em Maringá. Eles são alunos de cursos oferecidos pelo Senai em diversas áreas, todas direcionadas para o trabalho na indústria. No município, três unidades, oferecem capacitação nas áreas de Linha de Produção Industrial, Eletromecânica, Mecatrônica, Técnico em Edificações, Moda e Vestuário, Tecnologia da Informação, Técnico de Edificações, Biotecnologia, entre outras ofertas.

O sorriso aliviado de Lorena Letícia dos Santos, de 20 anos, mostra o quanto ela está tranquila e feliz. Há um mês, ela deixou de fazer parte da estatística de desemprego do IBGE. Começou a participar do programa Jovem Aprendiz. Ela estuda no Senai durante quatro horas por dia e, no período da tarde, trabalha na linha de produção de uma indústria do setor de avicultura em Maringá. “Decidi participar porque não conseguia uma vaga no mercado de trabalho. Essa é uma oportunidade de aprender uma profissão e ainda ser remunerada”, contou a jovem, que ganha em torno de mil reais e vale alimentação. Lorena acredita que tem chances de ser efetivada e está gostando da área. “São disciplinas diferentes como Segurança do Trabalho, Logística e Comunicação, que nunca tinha aprendido antes”.

O programa Jovem Aprendiz existe no Brasil desde 1943. As empresas são obrigadas por lei a contratarem um número de profissionais, equivalente a 2% do total do quadro de funcionários. Em Maringá, mais de 40 firmas trabalham em parceria com o Senai. Os jovens, entre 14 e 24 anos, são registrados em carteira de trabalho com um contrato especial de aprendizagem e são remunerados de acordo com o piso da categoria, dividido pelas horas trabalhadas e estudadas.

 “As empresas que começaram a contratar esses jovens há pouco tempo, podem achar que é um gasto. Porém, as indústrias com experiência no programa, sabem que esta é a melhor maneira para formar a mão de obra que elas precisam”, explica Claudio Batista, coordenador dos cursos do Senai. Ele revela que, em uma indústria de Maringá, mais de 75% dos funcionários efetivados atualmente, foram aprendizes. “Este profissional chega na empresa sem vícios e normalmente pretende fazer carreira na profissão. Com certeza trará muitos benefícios para a indústria”, acrescenta.

Metas alcançáveis

Alcançar novos cargos e permanecer na empresa é um dos objetivos do aprendiz Igor Fabiano Silva. O jovem de 19 anos também participa do programa e trabalha na fábrica de ração de uma indústria.

“Estou no setor de controle de produção e aprendo muita coisa nova. Estava desempregado e encontrei essa vaga em uma agência de empregos. Pretendo no futuro fazer Engenharia de Produção”.

O desejo de Igor pode estar mais perto do que ele imagina. De acordo com Batista, o curso técnico, a aprendizagem e a qualificação são ferramentas importantes para quem quer seguir uma carreira sólida. “Nestes cursos, além dos alunos estarem em contato constante com a prática, saem aptos para o trabalho e são, muitas vezes, profissionais mais preparados do que outros que seguem direto para o Ensino Superior”, avalia. “Um profissional que passou por um curso técnico de mecânica, por exemplo, e depois segue para um curso superior em Engenharia Mecânica, vai ter uma visão ampla das funções que envolvem a área e está apto para assumir um cargo de chefia na empresa”.

 O coordenador acrescenta que, diferentemente do Brasil, os cursos técnicos são uma tendência nos Estados Unidos e Europa. “Lá é comum isso acontecer, até porque o aluno pode ter uma profissão e já ter uma renda própria, antes de iniciar a faculdade”, explica. Além desta vantagem, a qualificação profissional é uma oportunidade para que o aluno se certifique da área que ele realmente deseja trabalhar e construir uma carreira. “Costumo dizer aos jovens: Se você quer cursar Engenharia Civil, faça primeiro um curso técnico em Edificações. Assim você terá a certeza de que essa é a profissão que quer seguir”, exemplifica o coordenador.

 Sem uma orientação ou alguém que indique um caminho, muitos jovens iniciam profissões que nem sempre atendem suas expectativas. Maurício Maciel de Almeida trabalhou no setor de estofados durante a maior parte dos seus 40 anos. Insatisfeito com a carreira, decidiu ingressar no curso de soldador. Em seguida, aprendeu tornearia e hoje é aluno da turma de Técnico em Mecatrônica. “Gostei da área e decidi agora fazer uma capacitação mais ampla. Talvez, se tivesse trilhado esse caminho mais jovem, hoje seria um engenheiro mecânico”, reconhece, Almeida. Atualmente ele trabalha na área e está satisfeito com a profissão.

(Foto: Divulgação Senai)(Foto: Divulgação Senai)

Oportunidades para a vida

Luiz Tiradentes Peixoto, de 27 anos, iniciou duas faculdades. Mas, quando percebeu que os setores não eram do seu agrado, resolveu parar.

Peixoto decidiu trabalhar como vendedor para ter uma renda e, depois de uma conversa com um amigo, optou pelo curso técnico em Eletromecânica. “A melhor vantagem que eu vejo nesta modalidade de estudo é a oportunidade de emprego. Terminei a capacitação em dezembro e em janeiro já estava trabalhando”, lembra. Ele é encarregado do setor de mecânica em uma indústria que terceiriza serviços para uma multinacional. Logo que iniciou na empresa teve a oportunidade de atuar nas Olimpíadas e Paralimpíadas. “Trabalhamos na iluminação e manutenção dos estádios durante todo o período dos jogos”, recorda, eufórico.

O trabalhador percebe claramente as vantagens do curso técnico em relação ao superior ao lembrar da trajetória da esposa dele. Formada em Engenharia Química, ela cursou cinco anos de faculdade e há dois está desempregada, porque as empresas exigem experiência.

Peixoto considera que o conhecimento que o Senai proporciona ao aluno é a garantia de um emprego na área. “Nunca imaginei que poderia trabalhar neste setor e me encontrei na profissão. O fato de estar em contato com as máquinas e ferramentas, durante todo o curso, oferece muita segurança para o profissional. Durante o período de aprendizagem, 70% das aulas foram práticas”, afirma.

De aprendiz a supervisor

A história de Celso Reis, encarregado do setor de oficina de uma indústria automotiva em Maringá, com o curso de aprendizagem do Senai, começou em 1986. Ele participou do programa Jovem Aprendiz e foi efetivado na mesma empresa que está hoje. Ao todo são 26 anos trabalhando na área. Atualmente, ele é responsável também pela contratação dos funcionários e avalia que os aprendizes estão no topo da lista de preferências da empresa. “Os aprendizes já vem com uma bagagem que agrada a empresa, possuem uma conduta de organização e perfil que são próprios do aprendizado no Senai”, explica Reis, acrescentando queoutros profissionais com experiência anterior chegam com alguns vícios e podem ser resistentes em relação às normas da empresa. “O aprendiz já começa a se habituar com os processos de fábrica. Este é sem dúvida um programa que beneficia a indústria e o trabalhador, que além de se tornar um profissional, é remunerado enquanto aprende.”

Reportagem produzida pela jornalista Talita Amaral