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Austríacos rejeitam extrema-direita em nova eleição presidencial

DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Projeções preliminares sugerem que Alexander Van der Bellen, do partido Verdes, venceu as eleições presidenciais da Áustria neste domingo (4).

Ele teria superado, dessa maneira, o candidato da extrema-direita Norbert Hofer, que representava o Partido da Liberdade (FPÖ). A campanha de Hofer já admite a derrota.

O resultado, ainda não definitivo, surpreende na Europa em meio ao avanço de partidos de extrema-direita no continente, como a Frente Nacional na França e a Alternativa para a Alemanha.

Austríacos já haviam votado há seis meses, mas precisaram voltar às urnas neste domingo devido a irregularidades na contagem dos votos. Àquela ocasião, Van der Bellen venceu por uma vantagem de apenas 31 mil votos.

Mas houve entre ambas as eleições dois importantes eventos globais. Em junho, britânicos decidiram deixar a União Europeia (o chamado "brexit"). Em novembro, americanos elegeram Donald Trump.

O pleito austríaco foi visto, portanto, como uma medida da aversão ao "establishment" político -se havia crescido ou não após esses dois choques.

Durante sua campanha, Van der Bellen alertou para os riscos de que Hofer convocasse uma versão austríaca do "brexit", pedindo a saída da União Europeia.

Hofer negou ter planos para tal, mas não descartou a possibilidade de convocar um voto popular sobre o tema.

Outra razão para a ansiedade era o fato de a eleição austríaca coincidir com um referendo constitucional na Itália. Em ambos os votos eleitores foram em parte motivados por sua insatisfação com a globalização.

A própria disputa entre o FPÖ e os Verdes pela Presidência era um sinal do desgosto popular em relação aos partidos tradicionais.

A Áustria foi governada por décadas pelas siglas de centro Social Democratas e Partido Popular.

Em um contexto mais amplo, a centro-esquerda na Europa tem perdido território para siglas populistas.

Na Espanha, o bipartidarismo entre Partido Popular (centro-direita) e PSOE (centro-esquerda) foi rompido no último ano, com o surgimento de partidos como Podemos (esquerda) e Cidadãos (centro-direita).

A França é outro importante exemplo. O presidente François Hollande anunciou, na quinta-feira (1º), que não vai concorrer às eleições de 2017. O cargo deve ser disputado por François Fillon (centro-direita) e Marine Le Pen (extrema-direita).

Tanto Marine Le Pen quanto o partido extremista Alternativa para a Alemanha apoiaram a candidatura de Hofer.

LIMITAÇÕES

Hofer perdeu as eleições originais de maio com 49,65% dos votos, em um resultado recebido com alívio pelos governos europeus.

Irregularidades na contagem dos votos levaram, no entanto, à anulação do resultado.

A repetição do pleito foi em seguida adiada por problemas nas cédulas eleitorais enviadas por correio, causando embaraço no país.

O posto de presidente é cerimonial na Áustria, com poderes bastante mais limitados do que o de premiê. Mas Hofer ameaçou, durante a campanha, dissolver governos que elevassem impostos e convocar referendos. O cargo também tem um papel relevante na formação de coalizões.

MIGRANTES

Uma das questões centrais das eleições deste domingo foi, como tem sido no restante do continente, a crise migratória.

Cerca de 90 mil pessoas pediram asilo na Áustria em 2015. Foram quase 900 mil na Alemanha.

A aversão a migrantes soma-se às acusações de que o partido FPÖ fortaleça o antissemitismo no país.

O FPÖ foi fundado nos anos 1950 por ex-nazistas e chegou em segundo lugar nas eleições de 1999, participando da coalizão de governo.

Assim como o partido francês Frente Nacional, de Marine Le Pen, o FPÖ tem amenizado seu discurso radical para ampliar a base eleitoral.

A sigla manteve, no entanto, a retórica agressiva a migrantes e muçulmanos, que encontra apoio nas regiões rurais.

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