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Futuro secretário de Estado, Tillerson tem posições diferentes de Trump

(Foto: Divulgação) - Futuro secretário de Estado tem posições diferentes de Trump
(Foto: Divulgação)

A política externa de Rex Tillerson não se parece muito com a de Donald Trump.

Em sua audiência de confirmação no Senado na quarta-feira (11), o ex-CEO da petroleira Exxon Mobil, escolhido por Trump para secretário de Estado, chamou a Rússia de "perigo" e prometeu proteger os aliados europeus dos EUA. Ele rejeitou a ideia de proibir a imigração de muçulmanos e tratou de forma branda o histórico de direitos humanos de parceiros chaves dos EUA como a Arábia Saudita.

Nas palavras do senador republicano Bob Corker, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Tillerson "demonstrou que está na corrente dominante do pensamento sobre política externa". Mas, para isso, Tillerson teve de divergir de várias declarações iconoclastas do presidente eleito sobre diplomacia e segurança internacional.

Repetidamente, Tillerson aproximou-se de antigas posições bipartidárias sobre o papel dos EUA no mundo e quem são seus amigos e inimigos.

Isso poderá ajudá-lo a conquistar senadores que expressaram preocupação sobre seu extenso relacionamento com o presidente russo, Vladimir Putin. Mas poderia levá-lo a implementar uma política externa de Trump que pouco parece a visão que ele esboçou na quarta-feira.

Veja em que as opiniões de Tillerson não combinam muito com as de seu futuro chefe:

Rússia

Tillerson adotou um tom duro em relação a Moscou, aparentemente para refutar a percepção de que ele é próximo demais de Putin.

O líder russo previamente concedeu a Tillerson a Ordem da Amizade de seu país, depois dos negócios da Exxon com a indústria de petróleo russa. Mas na quarta-feira Tillerson chamou a Rússia de Putin de uma ameaça aos EUA.

Enquanto Trump como candidato minimizou a anexação da Crimeia, que pertencia à Ucrânia, pela Rússia em 2014, afirmando que a população de lá era pró-russa de qualquer maneira, Tillerson disse que a anexação foi ilegal e representa uma "tomada de território que não era deles".

Enquanto a equipe de campanha de Trump no ano passado atenuou a linguagem na plataforma republicana que pedia o armamento da Ucrânia, Tillerson disse que ele recomendaria fornecer aos EUA e seus aliados armas defensivas e mais vigilância aérea, para que os ucranianos pudessem proteger sua fronteira com a Rússia.

"A tomada da Crimeia foi um ato de força", disse Tillerson. Quando a Rússia flexiona seus músculos, disse ele, os EUA devem montar "uma demonstração de força proporcional".

Ainda assim, o Kremlin disse na quinta-feira (12) que os antigos inimigos da Guerra Fria poderão superar suas diferenças quando Trump assumir o cargo.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse esperar que os dois presidentes se entendam e possam normalizar os laços, se demonstrarem "respeito mútuo".

Hacking na Campanha

Antes de quarta-feira, Trump passou semanas ridicularizando as acusações das agências de inteligência dos EUA de que a Rússia havia invadido e vazado e-mails, disseminado "notícias falsas" e tomado outras medidas para interferir na eleição americana.

Tillerson não perdeu tempo em aceitar essas conclusões. Ele foi ainda mais longe, admitindo que é "uma suposição razoável" que a invasão informática não pudesse ocorrer sem a autorização de Putin.

Mas não Trump, que repetidamente elogiou a liderança de Putin. Embora tenha dito em uma entrevista coletiva na quarta-feira "Eu acho que foi a Rússia", Trump esquivou-se da questão da responsabilidade de Putin. Em vez disso, afirmou: "Então Putin gosta de Donald Trump, vejam só! Isso se chama uma vantagem, e não uma desvantagem".

Proibição a Muçulmanos

Durante a campanha, Trump pediu uma proibição temporária à migração de muçulmanos para os EUA. A proposta evoluiu para fechar a imigração de países ligados ao terrorismo. Mais tarde Trump sugeriu que estava reconsiderando a proibição aos muçulmanos.

"Eu não apoio uma rejeição geral a qualquer grupo de pessoas em particular", disse Tillerson categoricamente em sua audiência no Senado. Ele afirmou que os EUA devem "apoiar as vozes muçulmanas" que rejeitam o extremismo e insistiu que os americanos não devem ter medo dos muçulmanos.

Estupradores e Criminosos

Trump começou sua campanha presidencial visando ao sul da fronteira, acusando o México de enviar "estupradores" e criminosos com drogas para os EUA.

Perguntado sobre essas percepções, Tillerson disse que "jamais caracterizaria uma população inteira com um único termo, absolutamente".

O México e outros países latino-americanos estão apreensivos com relação às promessas de campanha de Trump de construir um muro na fronteira e deportar milhões de imigrantes ilegais dos EUA.

Em contraste, Tillerson disse que se envolveria estreitamente com o México. "O México é um antigo vizinho e amigo deste país", afirmou.

Defesa dos Aliados

Trump causou calafrios em grande parte da Europa quando sugeriu que os EUA poderão não defender seus aliados da Otan se eles sofrerem ataque, a menos que contribuam o suficiente para os custos coletivos de defesa da aliança.

Mais tarde, Trump moderou seus comentários, embora insistindo que o futuro da Otan depende de os membros pagarem sua parcela justa.

Tillerson ofereceu apoio férreo ao Artigo 5º da Otan, que obriga os aliados a tratar um ataque a um deles como um ataque a todos. Se um membro da Otan for invadido, disse o homem do petróleo, os EUA se uniriam a outros membros para acorrer em sua defesa.

"O compromisso do Artigo 5º é inviolável, e os EUA manterão esse compromisso", disse Tillerson.

Arábia Saudita

Trump usou o histórico duvidoso de direitos humanos da Arábia Saudita como um porrete contra Hillary Clinton, perguntando claramente por que ela não "devolvia o dinheiro" que o reino deu à fundação de sua família.

Ele destacou a Arábia Saudita e outros países do Oriente Médio pela violência contra gays e mulheres e outras violações dos direitos humanos.

Tillerson foi mais conservador com um país que está no centro da estratégia de segurança dos EUA para o Oriente Médio.

Disse que a Arábia Saudita não compartilha os valores americanos, mas que ele que precisava de "mais informação" antes de declarar o país um violador dos direitos humanos.

A resposta não foi bem recebida por todos os senadores presentes. Mas foi, para usar uma expressão cabível, diplomática.