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“A dor da perda não dá direito a ninguém de acusar inocentes”

(Foto: Luiz Mandelli/Rede Massa) - “A dor da perda não dá direito a ninguém de acusar inocentes”
(Foto: Luiz Mandelli/Rede Massa)

Foram quase quatros anos de acusações e de uma vida relatada pelo advogado de defesa, como reclusa e acabada. “A doutora Virgínia Helena Soares de Souza teve a vida destruída por acusações infundadas”, afirmou na coletiva concedida à imprensa na manhã desta sexta-feira (21), o advogado Elias Mattar Assad, sobre o caso que ficou conhecido em todo Brasil e que agora teve desfecho: a absolvição da Justiça.

A médica foi acusada de antecipar a morte de pacientes em internamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Evangélico de Curitiba. Ela foi a chefe da UTI da casa hospitalar entre os anos de 2006 e 2013. A sentença foi proferida pelo juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Júri de Curitiba, que julgou “improcedente e inadmissível a denúncia, tendo absolvido sumariamente a médica e entendendo que o processo deve ser encerrado”.

Na coletiva, o advogado contou um pouco de como foram os últimos anos da vida da médica. “Ela participaria da coletiva, mas se sentiu mal. Toda notícia forte, seja ela boa ou má tem esse poder de mexer com as pessoas. Em outro momento oportuno ela mesma irá se pronunciar”, disse, ao justificar a ausência de Virgínia, que havia confirmado presença na entrevista. “Ontem (quinta-feira) quando eu contei a ela que a Justiça a absolveu ela balançou. Ela chorou e me abraçou e no abraço eu já senti que ela quase desmaiou. Hoje foi preciso que ela fosse atendida por colegas”, acrescentou.

Ela explicou ainda que o Conselho Regional de Medicina também absolveu a doutora Virgínia e que o futuro agora, depende das decisões dela. “Ela teve a vida destruída. Ela foi chamada de doutora morte, ficou sem trabalho, sem dinheiro, morando com um filho. Voltar a exercer a medicina é uma decisão dela agora”.

Mattar Assad destacou que uma ação trabalhista foi movida contra a casa hospitalar, e foi vencedora. O valor foi de R$ 4 milhões.

Má-fé?

A defesa da doutora Virgínia enfatizou que a “absoluta falta de provas foi fundamental para a absolvição da médica” e ainda disse “não acreditar em erro por parte da polícia”. “Para pedir a prisão dela (a médica chegou a ser presa em 2013), foi usada a transcrição de uma gravação em que o termo raciocinar foi trocado pelo termo assassinar”, diz. “Em nenhum momento ela diz assassinar, é raciocinar”, destaca.

Sobre a atuação policial, Mattar Assad comentou que “não acredita em erro neste caso, pois conhece bem a polícia”. “A polícia não iria errar, não ia fazer essa confusão com os termos”, afirmou. Quando questionado então, se teria sido má-fé, ele respondeu que “o Estado deverá arcar com seus atos”. “Com certeza teremos uma ação contra o Estado, até porque é o Estado que tem que dar o exemplo”.

Recorrer

O Ministério Público afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça. Para Elias Mattar Assad, “isso é conversa de perdedor, o Ministério Público deveria era pedir desculpas a doutora Virgínia”. 

O advogado também comentou sobre as acusações que a médica recebeu de familiares de pacientes que ficaram internados na UTI do hospital e que morreram. "A dor da perda não dá o direito a ninguém de acusar inocentes", conclui.